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Educação

Saiba quais brinquedos são mais indicados a cada idade da criança

23 MAR 2011Por Minha vida06h:30

Todo pai deveria saber que os brinquedos não foram feitos só para entreter, principalmente nas primeiras fases da infância. Quando a criança brinca, ela estabelece uma série de construções mentais e aprende muito.

Por isso é importante saber escolher os brinquedos adequados para cada idade, pois só assim a criança terá os estímulos e aprendizados adequados a sua faixa etária.

Conversamos com a pedagoga da rede Pitágoras Renata Gazzinelli, que separou a infância em três ciclos entre 0 e 6 anos. "A partir dessa idade a criança já elaborou mentalmente uma série de construções e que os estímulos específicos não são mais tão necessários", explica a especialista.

No primeiro ciclo (0 a 2 anos), a criança prioriza o instinto. No segundo ciclo (2 a 4 anos) ela já começa a unir esse impulso com os pensamentos, e no terceiro ciclo (4 a 6 anos) a criança já é 100% estratégia, entende, portanto, como agir com base na razão. E os brinquedos devem acompanhar essa lógica.

Renata também alerta para a qualidade dos brinquedos: "É preferível ter poucos brinquedos de ótima qualidade do que muitos, mas ruins", diz. O ideal é dar preferência por brinquedos que não corram o risco de soltar tinta ou quebrarem com facilidade - afinal, se quebrarem em pedaços pequenos, o risco de acidentes é grande.

Vejamos agora quais os brinquedos mais recomendados para cada um dos ciclos e por que investir neles:



De 0 a 2 anos


Nesse período da infância a criança está passando por sua fase de expressão oral, ou seja, de interação com o mundo. A pedagoga afirma que nessa fase a criança deve ganhar brinquedos que agucem essa interação.

Os brinquedos devem proporcionar associações, processo chamado de conflitos cognitivos, que nada mais são do que o reconhecimento de uma ação. É simples. Por exemplo, a criança começa a jogar uma bola no chão e percebe que a bola volta para ela.

Dessa forma, a criança reconhece que toda vez que jogar a bola no chão, ela volta. A partir desse conflito cognitivo acontece a intencionalidade, ou seja, a criança cria a intenção de praticar o ato. No caso da bola, ela começará a jogar a bola no chão com a intenção que a bola volte para ela.

Esse processo é importante para o desenvolvimento da criança, que passa a reconhecer que foi responsável por determinado resultado, afirma Renata. "É por isso que a maioria das crianças nessa faixa etária joga as coisas no chão ou na parede", diz Renata. "Elas se sentem bem interferindo, se sentindo culpadas por tal acontecimento", completa.


Todo pai deveria saber que os brinquedos não foram feitos só para entreter.O que é importante priorizar na escolha do brinquedo: objetos grandes, leves, arredondados, que despertem a atenção de alguma forma (fazendo barulho, com cores diversas, que tenham um formato diferente).

"Os brinquedos devem ser grandes para o bebê não colocá-los na boca e correr o risco de sufocar", aponta Renata. O ideal é que os brinquedos sejam apenas de plástico e não tenham mais que quatro ou cinco cores, pois a criança ainda não está acostumada com "excesso de informação".


De 2 a 4 anos


De acordo com Renata Gazzinelli, nessa fase a criança já consegue se separar do adulto e perceber que é um ser único, portanto, seu repertório cognitivo é ampliado.

E os pais devem acompanhar esse desenvolvimento, oferecendo ao filho um repertório igualmente variado. "Os pais já podem oferecer brinquedos que explorem o intelectual da criança, como quebra-cabeças ou brinquedos de encaixar", diz a pedagoga.

O ideal é que os novos brinquedos sejam uma extensão dos velhos, só que com novos desafios, conta Renata. Se a criança tinha um brinquedo de encaixar com três peças, agora ela pode brincar com um que tenha sete peças em formatos e cores diferentes.

É importante também inserir nas brincadeiras da criança o mundo ao qual ela está acostumada. Um bom exemplo são brinquedos com figuras ou uma temática que ela conheça. Dessa forma, você atribui um contexto ao brinquedo para que a criança possa fazer associações.

Os pais podem, por exemplo, levar a criança ao zoológico e depois comprar um pequeno jogo da memória com alguns dos animais que ela viu lá.


"A partir dos 3 anos já é possível inserir o universo letrado nas brincadeiras, como jogos de completar palavras e juntar letras", afirma Renata. "Nesse caso também é importante relacionar as palavras a coisas do cotidiano", completa. Os pais podem apresentar a figura de um bicho e relacionar a primeira letra com o nome da criança, como "Girafa" e "Gisele".

O que é importante priorizar na escolha do brinquedo: jogos de montar e encaixar, jogos bem simples de memória, com elementos comuns como frutas, animais e brinquedos. As figuras devem fazer sentido para a criança. Brinquedos com uma grande variedade de sons.

Os materiais devem variar: se antes só era recomendado o plástico, agora é possível acrescentar peças de madeira ou poliuretano. As texturas também devem ser diversas, para que a criança reconheça a diferença entre macio, áspero e mole, por exemplo. "O tamanho das peças já pode ser um pouco menor, porém nada que ela ainda possa levar a boca e sufocar", alerta a pedagoga.


De 4 a 6 anos


"Aos quatro anos é como se o mundo da criança se descortinasse pra vida. Ela começa a ter autonomia para tomar decisões e fazer escolhas", afirma Renata.

Diferente da oralidade inicial, onde a criança parecia colocar tudo "para dentro", nessa fase ela expõe tudo o que pensa. Os brinquedos dessa fase da infância devem explorar isso. Nada pode ser óbvio para a criança, que deve encarar grandes desafios.

Os brinquedos de montar, por exemplo, já podem ter peças menores e em maior quantidade, entre 50 e 100. E os jogos de memória podem ser mais complexos.

Os jogos devem despertar a mente da criança, que terá de pensar para interagir com a brincadeira ? invista em jogos de tabuleiro, adivinhas, caça ao tesouro e tudo o que explore a criatividade e o intelectual da criança, que a faça pensar.

Nessa fase você pode propor à criança que ela crie seus próprios jogos, como um quebra-cabeça, um jogo da memória ou montar uma história.

O que é importante priorizar na escolha do brinquedo: a fantasia. "Quando a criança representa um papel, ela constrói a identidade dela como pessoa", diz Renata.

Nessa fase, bons brinquedos são objetos da casa em geral, como calculadoras, óculos, bolsas, embalagens de alimentos, entre outros. Tudo o que possibilite a criança brincar de "gente grande".

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