sexta, 20 de julho de 2018

corumbá

Ruiter muda equipe para acomodar aliados

9 NOV 2010Por Sílvio Andrade, de Corumbá01h:15

O prefeito de Corumbá Ruiter Cunha de Oliveira (PT) anunciou, ontem, mudanças no seu secretariado para recompor com os partidos aliados, os quais reclamam de falta de espaço desde o seu primeiro mandato (2005/2008). Ele é criticado por realizar uma administração centralizadora, excluindo os partidos que lhe deram sustentação nas urnas.

“O PT de Corumbá não se mistura administrativamente, isola-se, não se relaciona bem com a Câmara”, afirma o vereador Oséas Ohara (PMDB). “O Ruiter só fez alianças para ganhar os dois mandatos e não para administrar a cidade”, acrescenta o vereador, um dos maiores opositores ao prefeito.

No primeiro mandato, Ruiter teve uma dos maiores arcos de alianças (PP, PDT, PTB, PSL, PTN, PSC, PPS, PSDC, PCO, PHS, PTC, PSB, PV, PRP, PRONA, PC do B e PT do B). Em 2008, incluiu o PMDB, que indicou o vice, Ricardo Eboli. Contudo, mesmo antes da cisão política com o governador André Puccinelli, o prefeito não deu espaço ao partido.

O novo secretariado será anunciado em janeiro e Ruiter promete manter uma equipe com o perfil técnico e não político. “Precisamos recompor a nossa força política, oxigenar a administração”, declarou o prefeito a um jornal local, dando a entender que “alguns” partidos aliados vão perder força.

No primeiro mandato, o prefeito petista atraiu o PMDB, dando a liderança do governo na Câmara e uma secretaria, em detrimento aos partidos coligados, projetando sua reeleição, em 2006. Agora, a nova composição do secretariado sinaliza a sucessão de 2012, enquanto o PT corumbaense está rachado entre os grupos de Ruiter e do senador Delcídio do Amaral.

“O PP nunca teve espaço na administração, embora tenha sido parceiro nas duas eleições. Mas não é tarde para ser contemplado agora, quem sabe”, disse o vereador Evander Vendramini, que assume a presidência do Legislativo em 2011.

Ruiter deixou claro, no entanto, que as mudanças também estão relacionadas às eleições deste ano, devendo demitir quem não se empenhou na campanha do ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos e na eleição do deputado estadual Paulo Duarte. O grupo do ex-deputado Nelson Trad (PMDB) deverá ter espaço nessa nova composição.

O prefeito também deverá anunciar, no início do próximo ano, a demissão entre 400 e 600 comissionados devido às dificuldades financeiras do município. Hoje a prefeitura tem 3,6 mil funcionários, que consomem mais de 52% da receita líquida. Os comissionados que permanecerem terão redução de salário.

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