sexta, 20 de julho de 2018

futebol

Ronaldinho em versão light estreia no Fla

2 FEV 2011Por estadão09h:55

Nas últimas temporadas, principalmente pelo Milan, Ronaldinho Gaúcho foi notícia mais pelas incursões na noite do que pelos gols e dribles geniais. De volta ao Brasil, após dez anos de Europa, o craque de 30 anos quer trilhar o caminho inverso e provar que seus pés ainda produzem arte em grande escala. Esperançosa em voltar a reviver a mística da camisa 10, consagrada por Zico, a torcida do Flamengo vai lotar o Engenhão nesta quarta-feira, às 22 horas, para conferir a estreia do novo ídolo contra o Nova Iguaçu, pelo Campeonato Carioca.

Como num teatro, o público espera, no fim do espetáculo, aplaudir de pé o grande astro da noite. "Espero ajudar a equipe a dar alegria ao torcedor. É diferente de tudo que já vivi. É diferente do que já tinha visto na minha carreira"", disse o meia-atacante. "A expectativa é fazer o melhor para retribuir esse carinho", prometeu, feliz por ter sido recebido de braços apertos pela nação rubro-negra.

Se num passado recente ele vinha ao País de férias e sem preocupação com horário, pelo menos até o momento o craque pisou no freio. Não faltou a nenhum treino e está levando uma vida light, curtindo o Rio com moderação.

Na hora do lazer, cada vez mais restrito pelos vários treinos diários em dois períodos (manhã e tarde), gosta de ir a shows de pagode ou samba, mas não tem sido presença constante. Num sábado de folga (dia 22 de janeiro), tocou tantã ao lado do compositor Nelson Sargento no Candongueiro, famosa roda de samba de Niterói. Chegou acompanhado de seguranças e distribuiu sorrisos e autógrafos para os fãs. Muitos nem eram rubro-negros. Três dias depois, numa terça-feira à noite, o craque prestigiou o show do sambista portelense Monarco no Instituto Moreira Salles, na Gávea. "Ronaldinho gosta de samba de raiz, de ouvir Cartola e adorou o show. Me deu até um abraço depois. É um garoto jovem e precisa se divertir", disse Monarco, que convidou o camisa 10 para desfilar pela Portela no carnaval.

Nesta quarta, Ronaldinho deseja apenas pôr a zaga adversária para dançar no Engenhão. Ainda em fase de adaptação, ele quer estabilizar sua vida na cidade antes de retomar um velho hábito: jogar futevôlei. Desde a apresentação, sua rotina foi tão agitada que ainda não encontrou uma casa para comprar. Está morando num hotel da Barra da Tijuca (zona oeste). "Agora estou aqui para trabalhar. É uma situação nova, em todos os aspectos."

Volta à boa fase. Sua obsessão é voltar a exibir o futebol-arte que já encantou o mundo, conquistar muitos títulos com a camisa do Flamengo e, como consequência, disputar a Copa do Mundo de 2014. Para tanto, sabe que tem de render bem. Num clube de massa como o Flamengo, só as conquistas garantem tranquilidade. "Não paro de pensar em outra coisa que não seja defender o Flamengo."

Em todos os jogos do clube no Engenhão neste ano, Ronaldinho se fez presente. Geralmente ao lado da presidente Patrícia Amorim, ele vibrou com os gols da equipe, num dos camarotes do estádio, e comentou com pessoas próximas que ficou encantado com a devoção da torcida rubro-negra ao time.

Na nova casa, ele reviu um velho amigo: o lateral-esquerdo Rodrigo Alvim, com quem jogou nas categorias de base do Grêmio. Os dois sempre batem papo sobre assuntos que vão além do futebol. O astro é querido pelo restante do elenco. "Ele chegou há pouco tempo, mas já conquistou todos com sua simpatia", afirmou o atacante Deivid. "Além do seu talento raro, tem um carisma impressionante."

Leia Também