segunda, 23 de julho de 2018

GUERRA INTERNA

Rixas se aprofundam e deixam o PT em cacos

8 NOV 2010Por ADILSON TRINDADE E MARIA MATHEUS00h:00

A derrota do ex-governador José Orcírio dos Santos na sucessão estadual e a acusação de "corpo mole" do senador Delcídio do Amaral aprofundaram ainda mais as rixas no PT de Mato Grosso do Sul. Os dois principais líderes petistas estão rompidos e hoje nem se falam. O partido está em cacos com a rivalidade dos grupos.

A disputa dos dois está agora pelo controle do partido e até por cargos federais no Estado. O que mais interessa para eles, neste momento, é contar com o comando do PT por causa das eleições municipais de 2012 e estadual em 2014.

Delcídio espera assumir o controle absoluto do PT em Mato Grosso do Sul para executar todos os seus projetos políticos, depois da vitória de Dilma Rousseff para a Presidência da República, e José Orcírio, mesmo não concorrendo mais a nenhum cargo eletivo, está decidido a atrapalhar os planos do rival no partido de concorrer ao Governo do Estado em 2014. "Entendo que a expressiva votação que recebi nessas eleições me legitimaram para assumir o papel de protagonista dentro do partido em Mato Grosso do Sul", declarou o senador em entrevista ao programa Noticidade, da Rede MS de Rádio.

O senador avisou que as correntes que o apoiam no partido vão exercer, de fato, o comando da legenda e "ditar" os rumos da sigla. "Vamos trabalhar daqui pra frente de uma maneira até mais incisiva no sentido de ditar os rumos do partido, é claro que discutindo com a militância, (....) mas sem levar o partido para debates absolutamente inócuos, onde lamentavelmente a baixaria prevalece", disse. "A partir de agora não teremos mais nenhum tipo de complacência. Vamos exercer a hegemonia e quando houver divergência vamos resolver no voto".

O recado foi para o grupo do ex-governador. Para Delcídio, Orcírio "continua sendo respeitado como liderança do partido, mas precisa entender que as instâncias de onde emanam as decisões são a Executiva e o Diretório Regional".

Projeto
A meta de Delcídio é chegar forte em 2014 para disputar a sucessão estadual. Mas antes pretende eleger um grande número de prefeitos para dar lhe sustentação político-eleitoral à sua candidatura na sucessão estadual. Ele espera, ainda, contar com apoio do atual governador André Puccinelli (PMDB) em retribuição de não se engajar na campanha de José Orcírio, em 2010. Mas André tem outro projeto. A ideia dele é fazer o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), de sucessor, e a vice-governadora eleita, Simone Tebet (PMDB), de senadora. Com este cenário, o PMDB continuará sendo rival do PT na disputa pelo Governo do Estado.

Outro problema de Delcídio é não ter hoje o PT inteiro à sua disposição. Mesmo com o seu grupo comandando, ele leva apenas um pedaço do partido ao seu palanque na sucessão estadual.

Na avaliação de petistas, o senador saiu vitorioso das urnas, mas derrotado politicamente por não agregar o PT e prejudicar a candidatura de José Orcírio para ajudar rivais. Do seu grupo, Delcídio só elegeu o deputado federal Antônio Carlos Biffi e o deputado estadual Laerte Tetila, enquanto o grupo do ex-governador José Orcírio elegeu quase toda a bancada estadual (Pedro Kemp, Cabo Almi e Paulo Duarte), além da reeleição do deputado federal Vander Loubet.

Para 2014, o senador precisa juntar os cacos para contar com o PT inteiro. Não será tarefa fácil, porque José Orcírio, se permanecer no partido, é capaz hoje de se aliar ao governador André Puccinelli, até então um adversário ferrenho, para impedir eventual vitória de Delcídio.

Braços cruzados
As rixas no PT se aprofundaram na campanha eleitoral deste ano. Delcídio é acusado de cruzar os braços para impedir o avanço de José Orcírio sobre André Puccinelli na corrida eleitoral. Seria o troco do senador ao apoio, na sua avaliação, inexistente de José Orcírio à sua candidatura na campanha de 2006.

Os dois fizeram campanha em separado. Eles se encontraram em raras ocasiões, pouco antes e durante a campanha eleitoral, para aparecer nos fotos de jornais e mostrar à militância a unidade do partido.

Delcídio não só é acusado de atrapalhar José Orcírio como também de prejudicar a candidatura do deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT) para ajudar na difícil eleição do deputado federal Waldemir Moka (PMDB) na disputa para o Senado. A "aliança branca" de Delcídio e Moka não era segredo tanto no PMDB quanto no PT. Delcídio só pediu votos para Dagoberto quando era impossível defender Moka, como, por exemplo, no comício que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da candidata Dilma Rousseff, eleita presidente.

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