Campo Grande - MS, quarta, 15 de agosto de 2018

MEIO AMBIENTE

Rios voadores: estudando a umidade do ar ao sabor do vento

8 MAR 2011Por BRUNA LUCIANER19h:00

Campo Grande e Corumbá, mais o Pantanal da Nhecolândia (Aquidauana), estão entre as 17 cidades da região central do Brasil monitoradas diariamente pelo Projeto Rios Voadores. Através de aparelhos do Centro de Previsão do Tempo e de Estudos Climáticos (Cptec), são vigiadas as massas de ar que trazem umidade evaporada das árvores e rios da floresta amazônica até as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do país.

Trata-se da segunda fase do Projeto, que segue com a coleta de amostras de vapor de água em cima da floresta amazônica e de outras regiões do Brasil. A novidade desta etapa é, além do avião monomotor, a utilização de um balão a gás, que permite sobrevoos rente às àrvores. “Estamos em fase de testes, mas os primeiros voos do balão trouxeram ótimos resultados”, comemora Margi Moss, idealizadora do projeto ao lado do marido, Gèrard Moss.
Poucos anos atrás, a maioria da população nunca havia ouvido falar do fenômeno dos rios voadores. Hoje em dia, os boletins meteorológicos nos canais de TV passaram a mostrar as correntes de ar úmido chegando do norte. É a evapotranspiração da floresta amazônica ajudando a irrigar nossos campos agrícolas e encher nossos reservatórios, fornecendo energia e até água de beber.

Rios voadores
Os rios voadores são cursos d’água invisíveis, correntes de ar que passam em cima das nossas cabeças carregando umidade e vapor de água da bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
Ao se encontrar com certas condições meteorológicas, como uma frente fria, por exemplo, essa umidade (que a gente nem percebe) pode ser transformada em chuva. Chuva essa que é de suma importância para nossa vida e para a economia do país, irrigando as lavouras, enchendo os rios terrestres e as represas que fornecem nossa energia.
Por incrível que pareça, a quantidade de vapor de água transportada pelos rios voadores pode ter a mesma ordem de grandeza, ou mais, que a vazão do rio Amazonas (200 mil metros cúbicos por segundo). O projeto Rios Voadores coloca uma lupa neste processo, voando junto com os ventos, coletando amostras de vapor em busca de maiores explicações.

O projeto vai às escolas
Durante 2011, o projeto terá um forte enfoque educacional. Levará às escolas municipais de seis cidades pré-selecionadas – Santa Maria, Chapecó, Londrina, Ribeirão Preto, Uberlândia e Brasília – um programa educativo que treinará professores municipais sobre os rios voadores. Além disso, será fornecido material didático para que os alunos destas localidades tenham oportunidade de aprender sobre esse fenômeno crucial para sua qualidade de vida agora, no presente e no futuro. 

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