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Corumbá

Rio Paraguai deve continuar subindo por mais 1 semana

5 MAI 2011Por Diário Online08h:21

O rio Paraguai deve subir por pelo menos mais uma semana e o pico da cheia, na régua de Ladário, deve ficar na faixa dos 5 metros e 67 centímetros. A avaliação é do pesquisador da Embrapa Pantanal, Ivan Bergier.

Previsão apresentada em 31 de março, pela própria Embrapa, estimava que o rio alcançasse nível máximo entre a semana final de abril e o início de maio - mais especificamente entre os dias 22 de abril e 05 de maio - ficando pouco abaixo dos 6 metros. Cheia normal compreende de 5 m a 5,99 metros. Cheia igual ou superior a 6 metros é considerada como uma cheia grande ou super cheia.

Bergier explicou que um bom parâmetro para a previsão é a régua de Bela Vista do Norte, que fica "no meio do caminho" entre Cáceres e Ladário. "Lá, quando chega ao pico máximo ainda está subindo aqui [régua ladarense] e quando começa a descer por lá é sinal que estamos muito próximos do máximo por aqui", argumentou o pesquisador.

A dinâmica do rio Paraguai na régua de Bela Vista do Norte deve ser avaliada e a maior marca pode acontecer em até duas semanas. "Já está estável há alguns dias, mas é preciso esperar ainda", disse Ivan. Ele informou que os cálculos do método probabilístico do Modelo de Previsão de Cheia em Ladário (Modelad) apontaram em 30 de abril, que a altura máxima do rio Paraguai em Ladário deve ficar entre 5,37 m e 5,96 metros. Nesta quarta-feira, 04 de maio, a centenária régua do Serviço de Sinalização Náutica do Oeste, do 6º Distrito Naval, marcava 5 metros e 30 centímetros.

Alagoas

Quando a cheia de 2011 chegar ao máximo previsto pela régua de Ladário, a área inundada no Pantanal pode atingir mais de 35 mil km², ou seja, superior ao estado de Alagoas, que de acordo com o IBGE, possui área de 27.767 km². A informação foi gerada pelo Sismonpan (Sistema de Monitoramento do Pantanal), tecnologia recém-disponibilizada pela Embrapa Pantanal. Trata-se de um sistema de alerta para cheias e secas no Pantanal, que poderá auxiliar produtores rurais na tomada de decisões e minimizar prejuízos. O Pantanal convive todos os anos com os chamados pulsos de inundação.

Para chegar a esses resultados, os cálculos levaram em conta dados de geotecnologia, climáticos e hidrológicos, considerando um conjunto maior de informações além da régua de Ladário. Essa régua, mantida pela Marinha do Brasil, é utilizada desde 1900 para acompanhar o nível do rio Paraguai no município.

Maior da história

A maior cheia do século passado ocorreu em abril de 1988, quando o rio Paraguai, atingiu a marca de 6,64 metros na régua de Ladário, superando os 6,62 m de maio de 1905. A última grande cheia ocorreu em 1995, considerada a terceira maior, com pico de 6,56 metros.

Mas, a que mais prejuízos causou para a pecuária bovina do Pantanal, foi a de 1974, quando milhares de cabeças de gado morreram. Apesar de o pico (nível máximo) ter sido inferior a 6 metros (5,46 m), o fato de ter ocorrido após o mais longo período de seca do Pantanal, pegou os pecuaristas de surpresa. Durante o período de 1964 a 1973, que antecedeu a essa cheia, o nível máximo registrado na régua de Ladário tinha sido de apenas 2,74 metros.

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