Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

cinema

Revolução egípcia vai virar longa-metragem

22 FEV 2011Por r712h:19

A revolução dos jovens egípcios e o papel de um cirurgião em plena praça Tahrir, no Cairo, onde socorreu as vítimas da violência, são o tema de El Midaan (ou, em português, A Praça), o primeiro filme egípcio inspirado na revolta popular.

El Midaan, cuja filmagem acaba de começar, relata a experiência real do cirurgião egípcio de fama internacional Tareq Helmi e como a revolução mudou sua vida, segundo o cineasta Magdi Ahmed Ali, diretor do filme.

O doutor Helmi nunca se interessou por política e sequer acompanhava de perto os protestos, que começaram no dia 25 de janeiro em Tahrir, no Cairo, para pedir a renúncia do regime de Hosni Mubarak. A "quarta-feira negra", um dia bastante violento dos protestos, foi uma reviravolta na vida de Helmi, especialmente quando manifestantes pró-Mubarak feriram os contrários ao presidente, o que resultou em dezenas de vítimas.

Naquele dia sua filha tinha telefonado da praça para pedir ajuda médica urgente aos diversos manifestantes que tinham sofrido ferimentos nos choques. O médico foi até o local pensando que iria atender alguns feridos e voltar para casa, mas acabou passando duas semanas na praça, até o último dia dos protestos. Durante o período, teve que interferir algumas vezes entre os manifestantes para acalmar os ânimos, socorrer feridos por balas e buscar ambulâncias para transferir os que estavam em estado grave aos hospitais.

Helmi, que relatou sua experiência em entrevistas para várias emissoras de televisão locais, e cuja história foi descrita pelos jovens no site Facebook, chegou inclusive a dirigir uma equipe de médicos em um hospital muito primitivo adaptado no coração da praça Tahrir.

O diretor, famoso por seus filmes que retratam tabus no Egito, afirmou que o centro do filme é mesmo o médico.

- O filme que estou fazendo é um documentário que se desenvolve ao redor da história do doutor Tareq Helmi.

Ahmed Ali também viveu de maneira bem presente a revolução, já que esteve com sua câmera na praça Tahrir desde o primeiro dia até as últimas manifestações, que duraram 18 dias. Durante esse período, Ali gravou algumas imagens de jovens atores que participavam das manifestações e outras do cirurgião Helmi atendendo os feridos. Os atores serão os próprios protagonistas do filme.

- Trouxe os protagonistas da mesma praça porque já estavam ali se manifestando e, assim, sua presença no filme será natural.

Após ter filmado a primeira parte do filme como um documentário dos protestos, agora o cineasta está preparando o roteiro para continuar o filme com técnicas dramáticas. Para o cineasta, El Midaan é um filme novo em sua composição e sua construção.

O diretor ainda não sabe como vai utilizar o material que tem gravado sobre Tahrir, mas acredita que vai terminá-lo dentro de duas ou três semanas. Apesar de o cineasta ter gravado imagens também das comemorações de milhares de egípcios da vitória da revolução na praça Tahrir, ele não acredita que vai incluí-las.

- O clímax para a revolução foi a renúncia do presidente Mubarak do poder, e este deverá ser o final do filme: a vitória da revolução.

O presidente Mubarak renunciou ao cargo no último dia 11, após 30 anos no poder, e cedeu a autoridade ao Conselho Supremo das Forças Armadas, após 18 dias de protestos em várias cidades do país. Ao menos 365 pessoas morreram nas manifestações.

Durante os dias de revolta, a praça Tahrir (libertação, em árabe) se transformou em símbolo da resistência dos manifestantes.

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