segunda, 16 de julho de 2018

PROSPERIDADE

Retrospectiva

24 DEZ 2010Por Fernando Miragaya, Auto Press02h:03

O bom momento do mercado brasileiro atraiu de tudo em 2010. E muita gente aproveitou a “marolinha”. Pudera. Foi um dos poucos países a manter o setor aquecido menos de dois anos depois da crise financeira global. E não só as marcas tradicionais, como também as novas fabricantes pegaram na onda de prosperidade. Foram mais de 120 lançamentos, uma média de 10 por mês, entre produtos novos, estreias de versões ou edições especiais.

E teve espaço inclusive para algumas marcas se aventurarem em nichos de mercado até então desconhecidos – pelo menos, para elas. O exemplo mais emblemático é o da picape Volkswagen Amarok. Produzida na Argentina e apresentada em fevereiro para ser vendida dois meses depois, o modelo é a primeira picape média da história da marca alemã. No universo de modelos comerciais, a Peugeot também resolveu explorar um nicho bastante peculiar do mercado brasileiro: o de picapes compactas. A Hoggar foi lançada em abril com a difícil missão de brigar com as tradicionais grandes deste segmento: Volks, com a Saveiro, Fiat, com a Strada, e General Motors, com a Montana. Modelo, aliás, que ganhou uma nova geração baseada no compacto Agile.

A Citroën também buscou aventura. Na verdade, iniciou sua nova linha de monovolumes compactos com o Aircross, uma espécie de versão jipeira do C3 Picasso, cujas configurações urbanas estreiam no ano que vem. O modelo feito em Porto Real, no Rio de Janeiro, puxou as vendas da fabricante francesa no País e já registra 1.500 unidades no mês. Em outras marcas, porém, o foco foi no volume. Que o diga a Fiat, que apresentou a nova geração do Uno – agora um subcompacto assumido – em maio, com a clara intenção de desbancar o Gol da liderança do mercado. Chegou perto, com médias acima das 20 mil/mês, mas o compacto da Volks já se aproxima das 30 mil unidades mensais.

A briga entre os modelos de entrada continua a ser a principal no mercado brasileiro, mas a batalha pelo segmento dos utilitários esportivos e crossovers foi igualmente acirrada. A Hyundai iniciou a importação do ix35, o sucessor do Tucson lá fora. Mas, por aqui, a marca não quis ceder espaços e manteve o veterano Tucson em produção na linha de montagem do Grupo Caoa em Anápolis, Goiás. No rastro, a GM incrementou os equipamentos da Captiva, enquanto a Dodge trouxe mais versões da Journey. No andar de cima, a Ford começou a vender o Edge reestilizado, enquanto a Kia lançou a nova geração do Sorento. O SUV médio-grande coreano adotou a nova tendência de design da marca e chegou com duas opções de motores, configuração para cinco ou sete lugares e tração 4X2 ou 4X4.

Renovação
A Kia também aproveitou o ano para reposicionar o Cerato justamente para brigar entre os sedãs compactos mais completos. Isso porque a Nissan passou a importar do México o Tiida sedã, com uma lista digna de itens de série e preço de R$ 44.500, apesar do desenho desarmônico. Também passou a vir do México a nova geração do Fiesta, na configuração sedã. Mas, como a Hyundai, a Ford não sepultou a antiga geração do seu compacto. Preferiu fazer um face-lift pouco criativo e o deixou com a cara do indiano Figo. Para diferenciar as gerações do Fiesta, a marca acrescentou um sobrenome tanto ao hatch como ao sedã feitos em Camaçari, na Bahia: Rocam. A marca norte-americana também resolveu dar um gás para o EcoSport, com uma reestilização que lembra o capô, a grade e a logomarca dos modelos da Land Rover. Tudo para que o SUV compacto ganhe fôlego até a chegada de uma nova geração, prevista só para 2012.

Reestilização inspirada em outros carros do mundo também foi a solução da GM para o Classic. O sedã mais vendido do País, baseado no primeiro Corsa, ganhou novos faróis, grade e lanternas. E ficou a cara do Chevrolet Sail vendido na China. E, por falar nos chineses, o país que mais cresce no mundo estendeu sua participação no Brasil. A JAC Motors, controlada pelo Grupo SHC, do ex-presidente da Citroën Sergio Habib, apresentou seus modelos no Salão de São Paulo e promete reverter a imagem de má qualidade dos chineses. A Lifan também chegou ao País com o 320, um misto de Mini Cooper e Kia Soul, além de uma linha de sedãs médios. E a Chery aumentou seu portfólio com o hatch altinho Face e com o médio Cielo nas versões hatch e sedã.

O segmento dos médios, por sinal, foi que permaneceu bastante tímido este ano. Apenas a Toyota apresentou um novo motor 2.0 16V de 142/153 cv para a nova versão top do Corolla – Altis –, talvez se preparando para a chegada do novo Honda Civic no ano que vem. Quem estreou também propulsores foi a FPT. Ela apresentou sua linha de motores produzidos em Campo Largo, no Paraná, na antiga fábrica da Tritec – joint-venture entre BMW e Chrysler. Com o nome E.torQ, as unidades 1.6 16V e 1.8 16V começaram a ser aplicadas em quase toda a linha Fiat no País – apenas Mille e Uno não receberam. Inclusive no Bravo, hatch médio lançado em novembro que entra no lugar do cansado Stilo. Na concorrência, só mesmo a Citroën lançou uma versão Sport do C4 e a Peugeot, que fez séries limitadas em cima do 307. Ainda na esfera fraca dos médios em 2010, a Renault tirou de linha o Mégane, já na espera do Fluence, e passou a oferecer a variação perua Grand Tour em uma versão única.

Entre as marcas premium, o mercado aquecido, logicamente, trouxe carros dos sonhos. Como o Mercedes-Benz SLS AMG, um asa de gaivota com uma unidade 6.3 V8 de 578 cv e 66,2 kgfm. Números convincentes sob o capô também enfeitaram o RS6. A versão esportiva da station wagon da Audi tem propulsor biturbo 5.0 V10 com 580 cv e 66,3 kgfm. A Audi também lançou aqui a nova geração do A8, enquanto a BMW passou a comercializar o novo Série 5. A marca bávara ainda trouxe dois crossovers: o BMW X1 e o Mini Countryman, versão aventureira de sua marca britânica. Genuinamente off-road foi a nova versão 4.4 V8 turbodiesel da Range Rover Sport, que desembarcou por aqui em outubro.

Objetos de desejo
As marcas premium trouxeram suas novidades, é verdade. Mas outras fabricantes de alto luxo estrearam no Brasil para roubar os holofotes. Carros extremamente requintados, alguns deles superesportivos, ganharam as vitrines no País. Seletas vitrines, é verdade. Afinal, o alto padrão de conforto, os motores potentes e os designs sedutores cobram um preço alto. Como a Aston Martin, que iniciou suas atividades em agosto no País. O modelo mais barato da marca britânica custa R$ 600 mil: o Vantage V8. Já o mais caro só sai da loja por R$ 1,35 milhão. É o preço cobrado pelo DBS Volante, versão conversível do cupê mais luxuoso da fabricante.

Outra inglesa que deu as caras por aqui em 2010 foi a Bentley. A montadora iniciou as vendas em fevereiro dos modelos Continental Flying Spur, Continental GT e Continental GTC, com preços entre R$ 868 mil e R$ 988 mil. A importadora Platinuss resolveu estrear uma marca pouco conhecida dos brasileiros, a sueca Koenigsegg. Especializada em superesportivos, os modelos da marca são para lá de caros. O CCXR, por exemplo, foi lançado com motor 4.8 V8 de 1.100 cv e preço inicial R$ 6 milhões.

(leia mais nas páginas 2 e 3)

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