quinta, 19 de julho de 2018

Retrato de Tiradentes foi idealizado, afirma historiador

21 ABR 2009Por 18h:30
     

        Da redação

        Desde cedo, as crianças aprendem nas escolas que o feriado de 21 de abril marca o Dia de Tiradentes, um personagem da Inconfidência Mineira, movimento em defesa da República, e que por isso foi condenado e enforcado em 1972 em Vila Rica, Minas Gerais.
        O que poucos sabem é que a imagem que vemos nos livros escolares de Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, é uma idealização de quem o retratou. Segundo o historiador e pesquisador do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de Minas Gerais, Olinto Rodrigues, as pinturas que retratam Tiradentes com barba e cabelos nos ombros foram inspiradas em Jesus Cristo.
        Provavelmente essa não é a imagem de Tiradentes. Ele, quando foi enforcado, vestia roupa branca, mas deve ter sido conduzido à forca com a cabeça e barba raspadas, o que era comum aos enforcados na época, explicou o historiador em entrevista Rádio Nacional. Segundo ele, não é possível reconstruir a imagem fiel de Tiradentes, já que não há pinturas anteriores ao enforcamento que o identifiquem.
        Joaquim José da Silva Xavier ficou conhecido com Tiradentes por ter exercido a profissão de dentista. Foi preso depois de se envolver no movimento chamado de Inconfidência Mineira que tinha entre os seus objetivos, o de estabelecer um governo republicano independente de Portugal.
        O historiador Olinto Rodrigues explica que a Inconfidência Mineira foi um movimento localizado, que abrangia principalmente Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Pretendia-se um governo republicano primeiro em Minas Gerais, talvez com Rio de Janeiro e São Paulo. Essa idéia de um país homogêneo surgiu apenas a partir do Segundo Reinado. Depois de ser preso, Tiradentes negou inicialmente a participação no movimento, depois foi o único a assumir toda a responsabilidade pela inconfidência. O processo contra os inconfidentes durou três anos e, ao final, apenas ele permaneceu com sentença de morte.
        A leitura da sentença de Tiradentes estendeu-se por 18 horas, seguida de cortejo com fanfarra. Há historiadores que apontam que essa movimentação despertou a raiva da população, o que teria contribuído para preservar a memória de Tiradentes. Executado e esquartejado, sua cabeça foi erguida em um poste, depois desapareceu e nunca mais foi localizada. (informações do Estadão)

         

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