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sábado, 16 de fevereiro de 2019 - 15h29min

Reminiscências III

13 FEV 10 - 07h:43HEITOR FREIRE
Em algumas oportunidades, convidado, participei da administração pública estadual, que muito enriqueceram meu aprendizado profissional, onde aprendi, por exemplo, que o administrador público, só pode fazer o que a lei determina; e o administrador privado, tudo o que a lei não proíbe. Dessa forma pude apreender também o que significa “fé pública”, que é um dos apanágios que distinguem o agente público. Dessa experiência, relato cinco episódios: No primeiro governo do dr. Marcelo Miranda, que logo após tomar posse criou várias secretarias de Estado – pois a administração do dr. Harry Amorim Costa, a quem sucedeu, tinha uma estrutura bem enxuta –, entre estas, a de Comunicação Social que tinha como titular, Aluizio Lessa Coelho, com quem eu trabalhava na Financial Imobiliária e me convidou para ser seu chefe de gabinete. Foi a minha primeira experiência pública. Dentre as minhas funções estava a de administrar o relacionamento com os órgãos de imprensa da Capital e do interior, excluindo os grandes grupos empresariais. O diretor de um veículo, constantemente me convidava para visitá-lo em seu escritório e eu sempre me esquivava por falta de tempo e por entender que o correto seria atendê-lo em meu gabinete. Mas tanto insistiu que um dia marcamos e lá fui eu. Mostrou-me as instalações, maquinários, etc. Ao final convidou-me para conhecer a sua sala. Entramos. Fechou a porta. E aí veio com uma conversa mole, dizendo que sabia que eu tinha muitas filhas, que o salário que recebia era insuficiente e que ele gostaria muito de me ajudar. Ato contínuo abriu uma gaveta e começou a tirar maços de dinheiro, que colocou em cima da mesa e empurrou na minha direção. E eu olhando para ele. Quando tirou tudo, disse que aquilo era para mim. E que era só o começo. Olhei-o bem firme e falei: ”Eu entendo o que você está querendo fazer e sei que é assim que a maioria age, mas, não aceito”. E disse mais: “Este episódio não vai alterar o seu atendimento nem o direito a que o seu veículo tem”. Despedi-me e saí. Quando o Aluizio solicitou demissão, saí junto com ele. O segundo, já no governo do dr. Pedro Pedrossian, sucessor de Marcelo Miranda: fui contratado, por indicação do Aluizio, como advogado da Enersul e colocado à disposição do governo, lotado numa assessoria da Cohab, sob a presidência do dr. Edson Brito Garcia. Minha incumbência era de criar o Pro-Sindi, um programa habitacional para atender aos motoristas de táxi sindicalizados. Essa era um categoria profissional que merecia do dr. Pedro uma atenção muito especial. Entrei em contato com o sindicato, que sempre foi muito atuante, com uma participação política importante e consciente. Organizamos um cadastro dos associados e procuramos o dr. Edson, para receber as instruções sobre como seria feita a seleção dos motoristas cadastrados, a distribuição das casas e quando os recursos para a construção estariam alocados para o início das obras. Aí a coisa começou a empacar. Não atava nem desatava. Ao perceber que aquilo não era para funcionar – na minha avaliação –, falei novamente com o dr. Edson, que me disse: “Heitor, fique por aí, isso costuma demorar um pouco. Quando sair o financiamento, trataremos do assunto e aproveitaremos o trabalho que já foi feito”. E o tempo foi passando. Então falei com o Aluizio, que também me disse que era assim mesmo e que eu deveria esperar, afinal, estava sendo remunerado. Eu sempre fui contra ganhar sem trabalhar, não me sentia bem como “fantasma”. Tomei uma decisão: enviei uma carta ao presidente da Enersul, sem falar com ninguém, solicitando demissão, pois na realidade eu era funcionário dessa empresa. Quando foi concretizada a demissão, através de sua tramitação normal, avisei ao Aluizio, que ficou muito agastado comigo e se dirigiu ao sr. Ariel Fernandes, chefe de gabinete do Paulo Fagundes, presidente da Enersul,: “Como vocês demitiram um homem da minha equipe?”, ao que o sr. Ariel respondeu: “Ele não foi demitido, pediu demissão e a mim não cabia e não cabe fazer nada, a não ser acatar a decisão dele”. Este foi o segundo episódio. Os demais narrarei no próximo artigo.
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