Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

Relatório denuncia falta de acessibilidade em novo terminal

25 OUT 2010Por anahi zurutuza05h:45



A falta de pista tátil no entorno do Terminal Rodoviário Senador Antônio Mendes Canale, a nova rodoviária de Campo Grande, coloca em risco a integridade física de deficientes visuais que precisam atravessar a Avenida Gury Marques para chegar à estação. Além disso, os portadores da necessidade especial enfrentam dificuldades de locomoção no interior da rodoviária, já que o direcionamento por meio do piso tátil liga somente a entrada do terminal a um balcão de informações.
As falhas de acessibilidade foram identificadas por membros do Conselho Estadual da Pessoa Portadora de Deficiência (Consep), que, em abril, protocolou denúncia contra a Prefeitura da Capital no Ministério Público Estadual (MPE). O caso está sendo apurado pela Promotoria de Justiça e Cidadania, Idoso e Pessoa com Deficiência, que instaurou inquérito civil no mês passado.
O conselheiro do Consep, Peterson dos Santos Garcia, 24 anos, deficiente visual e um dos autores da denúncia, explica que existem na nova rodoviária várias situações que desrespeitam as normas impostas pelo Decreto Federal nº 5.296, que regulamenta a Lei da Acessibilidade (nº 10.048). “Podemos dar vários exemplos de irregularidades, mas a situação mais grave é a da travessia para pedestres da Gury Marques. Em frente ao semáforo, eles construíram uma passagem elevada, que fica no mesmo nível da calçada. Isso facilita muito para o deficiente físico, porque não tem declive, mas para o deficiente visual, sem a pista tátil, as coisas ficam mais difíceis”.
Garcia explica que o cego que não conhece o local e sai do corredor principal de acesso à rodoviária, como não há sinalização adequada ao portador da necessidade especial ou sequer um “obstáculo” entre a calçada e a rua, ele passa pela passeio público, continuando a caminhada pela faixa elevada de pedestres no meio da rua. “É muito perigoso. Eu já ouvi três casos de deficientes visuais que só perceberam que estavam no meio da Gury Marques quando os carros começaram a buzinar. Meu pai mesmo, que é cego e mora em São José do Rio Preto, quase foi atropelado lá. Tudo isso não seria problema se na calçada da rodoviária e na passagem de pedestre fosse colocado o piso tátil”, revela.

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