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CAMPO GRANDE

Rede pública estuda distribuição de medicamentos naturais

9 ABR 11 - 00h:00Laís Camargo

De geração em geração estão presentes os chás e compressas com ervas medicinais. A tradição é tão antiga que várias instituições estudam o valor científico destas crenças. A partir do próximo semestre começa a ser implantado um programa que irá distribuir medicamentos fitoterápicos na rede pública de saúde. A Prefeitura de Campo Grande está fazendo parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, de Ciência e Tecnologia e do Agronegócio (Sedesc) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Uma das motivações é que são mais baratos que os remédios tradicionais, os alopáticos, outra é que a eficácia é a mesma e agressão a outras partes do corpo, como o fígado, não é grande. “Estamos fazendo os primeiros levantamentos. Como trata da área de saúde precisamos de muito cuidado, o produtor das plantas e o laboratório que vai manipular têm que ser capacitados”, justifica Maria do Carmo Portocarrero Petelinkar, superintendente de ciência e tecnologia da Sedesc.

Em conversa com raizeiros do Mercadão, a opinião foi unânime – eles concordam com a divulgação do tratamento alternativo e dizem que a procura por ervas medicinais é cada vez maior, mas temem pela demanda. “O problema vai ser para fornecer na rede pública. Muitas das plantas são nativas, tá ficando escasso, cada vez mais”, opina a raizeira Teila Oliveira amaral, 43 anos. Hoje, por falta de regulamentação da atividade, é proibida a divulgação por escrito das indicações de cada erva.

A Sedesc justifica que para atender à demanda de plantas, haverá capacitação para os produtores (principalmente da agricultura familiar), para somar ao laboratório da Fiocruz que está sendo construído na Capital. “Usaremos as plantas cadastradas na Anvisa, que já têm estudo e indicação de patologias para tratar as principais doenças. Como a arnica, por exemplo, usada como anti-inflamatório”, elabora Maria do Carmo. Outros fatores envolvendo o solo também são importantes. A plantação deve ser orgânica, não pode ser vizinha de local com agentes poluentes.

Sustentabilidade volta a ser o ponto de partida para ações públicas. Além do respeito à cultura popular. “Isso é coisa muito antiga, não tem como dizer que não dá certo. É só experimentar. É tudo baratinho, acho que por isso que não inspira confiança nas pessoas no começo”, argumenta Teresa Japonesa, raizeira há mais de 40 anos.
 

Veja a entrevista com a raizeira Teila:

  

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