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12 a 16 anos

Rede de exploração sexual envolve cerca de 60 meninas

14 MAR 14 - 09h:15Ana Carolina Monteiro, De corumbá

A Polícia Civil de Corumbá já identificou pelo menos 3 das 60 meninas, com idade entre 12 e 16 anos, que eram usadas por uma rede de exploração sexual que atuava naquela cidade e também em Ladário. As garotas, conforme o o delegado Gustavo de Oliveira Bueno Vieira, relacionavam-se com vários homens em troca de alguns benefícios, como ingressos para festas, presenças em camarotes de casas noturnas e de eventos, presentes caros, ou até mesmo o que ele chama de “curtição”.

“Há meninas que fazem parte desta rede que já estão aliciando outras garotas, colegas de escola, amigas, sem saber que são aliciadoras. São conversas do tipo ‘aquele cara é legal’, ‘fulano vai conseguir camarote pra nós’”, declara o delegado Gustavo, bastante indignado com a situação, que, segundo ele, expõe um cenário “problemático”.

Até o momento, foram mapeadas 10 pessoas envolvidas com a rede e identificadas 3 meninas, uma delas de 14 anos, das cerca de 60 que aparecem no vídeo “Pervas de Corumbá e Ladário”, arquivado no celular do funcionário público de 40 anos, preso na segunda-feira por pedofilia (por ter como objeto crianças com idade até 12 anos), crime cuja pena pode chegar até 4 anos de prisão.

De acordo com o delegado Gustavo, a mãe da adolescente de 15 anos encontrada na companhia do funcionário no apartamento dele, após ficar desaparecida por quase 3 dias, está muito preocupada com as consequências desta situação toda na vida da filha. Ela e a filha estão recebendo acompanhamento psicológico.

“Os pais pensam que, pelo fato de os filhos estarem em casa, no computador, estão seguros. Falta vigilância por parte de alguns pais”, alerta o delegado.

“Selfies”
De acordo com informações apuradas por esta reportagem, algumas meninas que aparecem no vídeo foram identificadas pela polícia por se envolverem em problemas anteriores de circulação na web de imagens feitas via celular, os chamados “selfies”, na maioria das vezes nuas ou seminuas, expostas no Facebook e repassadas a terceiros. A polícia suspeita de que façam parte desta rede de exploração sexual pessoas que tiveram acesso às imagens destas meninas e as distribuíram pela internet.

Negligência
Segundo o assistente social do CREAS, Centro de Referência Especializado de Assistência Social, e responsável, em Corumbá, pela abordagem de jovens em situação de exploração, Iber Mosciaro Gomes, “o quadro de exploração é uma preocupação que tem nos desafiado dia a dia, em função de sua complexidade. Essas meninas não se sentem vitimadas. Ao contrário, pela carência afetiva que desenvolveram ao longo de uma vida, pelas facilidades que ganham com os agressores, elas os protegem. Afinal, na cabeça delas, o agressor representa alguém que cuida delas, para quem são importantes”.  

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