Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

POLUIÇÃO NA HUNGRIA

Recuperação de área afetada por lama tóxica levará anos

7 OUT 2010Por BUDAPESTE00h:00

Centenas de afetados, dezenas de hectares contaminados, rios devastados: o derramamento tóxico que afetou o sudoeste da Hungria está se confirmando como uma catástrofe ecológica de enormes proporções, que implicará em muitos anos para que a natureza e a agricultura consigam se recuperar.

Uma camada de lodo vermelho, carregada de metais pesados, está esparramada por 40 quilômetros quadrados, incluindo áreas cultiváveis, e segue avançando em direção ao Rio Raab, que desemboca no Danúbio.

O secretário de Estado para o Meio Ambiente, Zoltán Illés, classificou o fato como “catástrofe ecológica” e advertiu que haverá de retirar a terra na região afetada para que possa voltar a cultivar-se, o que poderia levar pelo menos um ano.

Por sua vez, o responsável da WWF/Adena na Hungria, Gábor Figeczky, afirmou à Agência Efe que esta é a “maior catástrofe ecológica da história da Hungria”, e que a natureza demorará anos para recuperar-se.

A ruptura de um tanque de acumulação de uma empresa fabricante de alumínio provocou na segunda-feira o vazamento de 1 milhão de metros cúbicos de lodo altamente tóxico. Quatro pessoas, entre elas uma criança, morreram no acidente e outras seis estão desaparecidas.
Mais de 120 pessoas tiveram de ser hospitalizadas e 400 casas foram afetadas pela onda de barro vermelho.

As autoridades declararam o estado de emergência nas três províncias contaminadas ao oeste do país. Desde a tragédia está proibida a pesca e a caça nas áreas afetadas. O governo também proibiu o uso para alimentação da vegetação que esteve em contato com a lama, assim como a caça e a pesca nas zonas declaradas em estado de emergência. O Greenpeace pediu precaução para que as tarefas de limpeza não causem ainda mais danos.
Agora, o principal temor é que se estenda em cadeia a partir do Rio Marcal, onde já não é possível encontrar rastros de vida corrente, em direção aos cursos d’água do Raab, o Mosoni Duna e o Danúbio, a pouco mais de cem quilômetros do lugar do acidente.

A Companhia Húngara de Produção e Comércio de Alumínio (MAL), dona do reservatório, classificou o episódio de “catástrofe meteorológica” ao atribuir a ruptura do reservatório às fortes chuvas. A imprensa local informou que a companhia dispõe de um seguro de apenas 37 mil euros.

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