sábado, 21 de julho de 2018

POLIETILENO

Receita Federal anuncia plano para 'limpar' o rio

17 FEV 2011Por DIARIO ONLINE00h:01

A Receita Federal expôs ontem (16) o plano de ação para conter o derramamento da carga de polietileno e polipropileno estocada no pátio da instituição, na região de fronteira de Corumbá com a Bolívia. O carregamento foi parar no rio Paraguai, por conta da chuva dos últimos dias. A maior concentração dos resíduos é encontrada no Canal do Tamengo, aonde chegaram através do córrego Arroyo Concépcion, que fica exatamente na zona fronteiriça.

Dentro do prazo de 48 horas, dado pela notificação da Fundação de Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário, da Prefeitura de Corumbá, a Receita informou ao Municipio que já deu início às ações de contenção para acabar com o derramamento dos chamados "grãos" de polietileno e polipropileno, dois produtos petroquímicos utilizados na produção de tonéis, vasos, embalagens para filmes, plásticos para embrulhar roupas e caixas para bebidas.

Os resíduos despejados no rio Paraguai têm formato arredondado; são de tamanho pequeno e de coloração branca translúcida. Como o órgão federal já iniciou as atividades de contenção, a presidente da Fundação de Meio Ambiente, Luciene Deová, informou que não será formalizada multa para penalizar a Receita. Se não respondesse a notificação do Município, seria lavrado auto de infração por crime ambiental, com multa mínima de R$ 5 mil.

O plano de ação apresentado prevê para um prazo de 40 dias o leilão de toda a carga de polietileno e polipropileno estocada no pátio da instituição. Antes disso, dentro de 15 dias, o carregamento será transferido para um depósito sem risco para ocorrência de novo derramamento.

Já são construídas barreiras em torno do material momentaneamente estocado no pátio do Posto Esdras. Será promovida a limpeza constante dos dejetos levados ao piso do pátio por ação do vento e da chuva para que não escoe pelas caixas de coleta de águas pluviais; a Receita já desenvolve a proteção das caixas de coletas e do escoadouro da água das chuvas com telas de modo que permita somente o escoamento de água e não mais da carga como vinha acontecendo. Ainda será realizada uma análise de risco ambiental.

As medidas também incluem uma ação direta no rio Paraguai. Com apoio da Marinha será feita a coleta dos resíduos que ficaram próximos aos camalotes. A Fundação de Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário informou que não foi constatada mortandade de peixes.

O engenheiro químico da Fundação de Meio Ambiente, Luiz Henrique Manier, que fez a vistoria que constatou o pátio da Receita, na fronteira do Brasil com a Bolívia, como marco zero do despejo dos resíduos, informou ao Diário, naquele mesmo dia que como o material é plástico, o risco existente estava no fato de demorar "muitos anos" para degradar. "Ele não expele substância tóxica, não vai envenenar o rio nada disso. Só vai ficar lá até desaparecer", argumentou o engenheiro químico.

"À primeira vista não é motivo de preocupação, não é produto que contamina o rio. Se tivesse um produto químico não industrializado; produto químico bruto, aí sim poderia criar problemas, nesse caso, o problema ambiental talvez seja se um peixe que engolir uma bolinha daquela, um pássaro, aí pode causar dano à fauna. Ao homem de modo geral não", complementou.

Fonte: Diário Corumbaense (www.diarionline.com.br).

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