Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

VIOLÊNCIA

Rebelião policial no Equador deixou pelo menos 5 mortos

2 OUT 2010Por 05h:31

QUITO

A rebelião de policiais detonada anteontem no Equador deixou ao menos cinco mortos e 193 feridos, segundo números confirmados ontem pelo ministro da Saúde, David Chiriboga, no primeiro boletim oficial sobre os confrontos. Segundo Chiriboga, dos cinco mortos, três eram de Quito e as duas de Guayaquil, as duas cidades mais afetadas pelos protestos.
Nos hospitais, foram atendidas 193 pessoas, das quais 16 estão em estado grave e seis em unidades de terapia intensiva. “A maioria dos pacientes atendidos tem ferimentos de balas”, afirmou o ministro.
O governo decretou um estado de sítio, deixando os militares encarregados da ordem pública, suspendendo liberdades civis e permitindo buscas sem mandado judicial.
O Equador amanheceu relativamente calmo ontem após a crise provocada por uma sublevação de policiais que manteve o presidente Rafael Correa isolado em um hospital, em fatos classificados pelo líder equatoriano como golpe de Estado.
Pouco a pouco, a atividade volta à normalidade no palácio de Carondelet, sede do Executivo, onde há forte presença militar, segundo informações da agência EFE. Na cidade, em geral, era percebida pouca presença policial no início da manhã de ontem.
A luz do dia expôs os danos no hospital de onde Correa foi resgatado pelos militares: portas quebradas, cadeiras destruídas, buracos de bala em janelas, paredes e espaços de trabalho, e manchas de sangue por todos os lados.
Correa, que na noite de anteontem foi resgatado por militares após passar horas em um hospital isolado por policiais rebeldes, cumpriu agenda de trabalho normal na sexta-feira, segundo seu gabinete.
Desde a sede de Governo, cercada por militares, Correa chamou o levante de “golpe de Estado” e recebeu o respaldo unânime da comunidade internacional, incluindo a ONU e a OEA, além dos Estados Unidos e de vários governos da América Latina.
O ministro do Interior, Gustavo Jalkh, disse à imprensa que a Polícia retomava suas atividades. “Isto é o que deve ser feito e conseguir com esse trabalho uma reconciliação com a sociedade e com o país como se deve”, afirmou.
Após os incidentes de anteontem, o comandante-geral da Polícia Nacional do Equador, Freddy Martínez, renunciou ao cargo. O general Florencio Ruiz assumirá o cargo temporariamente.
Colômbia e Peru reabriram ontem suas fronteiras com o Equador, que tinham sido fechadas durante a revolta, e a companhia aérea chilena Lan Chile, que havia suspendido seus voos para o país, afirmou que as viagens foram retomadas.
A Lei do Serviço Público que gerou a discórdia foi aprovada na quarta-feira, pelo Congresso dominado pelas forças da situação. A norma ainda não entrou em vigor pois precisa antes ser publicada. A lei encerra a prática de dar aos membros das Forças Armadas e da polícia medalhas e bônus a cada promoção. Isso elevaria de cinco para sete anos o período normal exigido para uma promoção de patente nas forças de segurança. Correa disse que os envolvidos no protesto não conheciam a lei e atribuiu a desinformação a rumores da imprensa privada.

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