Terça, 20 de Fevereiro de 2018

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Quer ser sócio do empresário Steve Jobs, na Apple? Ou prefere comprar as ações do Google?

10 OUT 2010Por JOSÉ FUCS13h:16

Você quer ser sócio do empresário Steve Jobs, na Apple, a fabricante do iPhone, do iPad e do iMac? Ou prefere comprar as ações do Google? E que tal investir nos papéis do Walmart, a maior rede varejista do mundo? O que antes era reservado apenas aos negociantes mais ousados do mercado de ações, que realizavam negócios em dólar diretamente em Wall Street, agora está ao alcance do investidor brasileiro, em reais, aqui mesmo no Brasil.

Depois de cinco anos de conversas e articulações, os papéis de dez empresas estrangeiras fizeram na semana passada sua estreia na BM&F Bovespa. Foram os primeiros a receber sinal verde da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ser negociados no país. Além da Apple, do Google e do Walmart, estão na lista a Avon, o McDonald’s, a Pfizer, o Bank of America, a petroleira Exxon Mobil, a ArcelorMittal, maior grupo siderúrgico do mundo, e o Goldman Sachs, o maior banco de investimento dos Estados Unidos.

Na estreia, os papéis movimentaram R$ 2,9 milhões. É uma ninharia perto da média de R$ 8,5 bilhões movimentados diariamente na Bolsa brasileira, mas o mais importante é a abertura do mercado e a ampliação do leque de opções aos investidores do país. No total, foram feitos apenas 54 negócios no dia com os papéis, dez deles envolvendo os da Apple, os preferidos entre as estreantes.

Batizados de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) nível 1, os papéis são lastreados nas ações originais negociadas no exterior. Aqui, como eles não são lançados pelas empresas, mas por um intermediário (no caso, o Deutsche Bank), recebem o sobrenome de BDRs não patrocinados. Nesse aspecto, são um pouco diferentes da maioria dos American Depositary Receipts (ADRs), lançados por empresas brasileiras, como Petrobras, Vale e Embraer, diretamente no mercado dos Estados Unidos.

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários, apenas os investidores institucionais, como seguradoras, fundos de pensão e fundos de investimento, poderão negociar os BDRs nível 1 diretamente nos pregões. É uma forma, de acordo com a CVM, de proteger os investidores de menor porte, porque as empresas estrangeiras não são obrigadas a seguir as regras do mercado local e as informações sobre seu desempenho, como faturamento, lucro e projeções para o futuro, são deficientes no país. Muitas vezes nem sequer estão disponíveis em português. As pessoas físicas só poderão investir nessas ações por meio dos fundos. Conforme o enquadramento legal dos fundos nas diferentes categorias de investimento, será possível investir até 10% ou 20% do patrimônio dos cotistas em BDRs.

Até agora, não se tem notícia de que algum gestor nacional tenha lançado fundos com os papéis recém-lançados. Mas espera-se que dentro de no máximo um mês a novidade deverá estar disponível. Itaú, Bradesco e HSBC informaram que ainda estão estudando o assunto. É provável, portanto, que as butiques de investimento, com maior agilidade no lançamento de produtos, saiam na frente.

A BM&F Bovespa anunciou novos lançamentos de BDRs nível 1 nos próximos meses. Até o fim do ano, dez desses papéis deverão chegar ao mercado, desta vez sob a administração do Citibank. Em 2011, virão outros 80, ainda sem administrador definido. A previsão é que, nos próximos lotes, além de empresas americanas, haja papéis de outros países. Nesse ritmo, em pouco tempo o investidor brasileiro nem vai lembrar mais de Wall Street.

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