Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

NOVAS MEDIDAS

Quem vai para o exterior já deve comprar dólares

5 ABR 2011Por infomoney00h:02

Novas medidas para conter a valorização do real frente ao dólar podem vir a ser lançadas pelo governo. O intuito é fazer a cotação da moeda norte-americana subir, beneficiando setores da economia que estão sendo prejudicados pelo cenário atual, como os exportadores.

Mas, diante dessa expectativa de novas medidas, o que deve fazer quem está com viagem marcada para fora do Brasil nos próximos meses e precisa comprar dólar?

A trajetória do dólar
De acordo com o gerente de Operações do Banco Confidence, Felipe Pellegrini, o dólar vem caindo há um bom tempo e já chegou próximo da mínima histórica, que aconteceu em julho de 2008. Com a crise, a cotação subiu e voltou a cair em março de 2009. “Para a queda do dólar, leva-se muito tempo, sendo que, para a alta, qualquer notícia, algo estrutural, pode levar a moeda a subir rapidamente”.

Pellegrini diz que a tendência natural a médio e longo prazo é de queda da moeda norte-americana, mesmo com as medidas do governo. “A gente percebe, pelas últimas investidas do governo para conter a queda do dólar, que elas [as medidas] são pontuais. Vai ser difícil segurar o dólar com a taxa de juro alta, que aumenta os investimentos estrangeiros no País”.

Entre as medidas que podem ser lançadas pelo governo, ele indicou aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em operações de investimento estrangeiro, para dificultar a entrada destes recursos, ou praticar a quarentena – regra pela qual os estrangeiros têm um período para deixar o dinheiro investido no Brasil.

Já o gerente de Câmbio Turismo da TOV Corretora, Alexandre Milanov, disse que as medidas pontuais podem não gerar impacto de imediato, mas tendem a ter efeito no longo prazo. “No final da história, você pode ter um cenário favorável. Acredito que o que poderia impactar mais a moeda seria sobretaxar ainda mais o capital estrangeiro na entrada”.

Ele afirmou que uma das medidas para conter a queda do dólar seria reduzir a taxa básica de juro, o que não deve ser feito pelo governo brasileiro: “Quando tem essa queda, acaba evitando que entre dólar para investimento no Brasil e aumenta o valor. Mas existe um gatilho: isso acaba aumentando a inflação, porque gera consumo interno. Existe esse impasse e o mais forte, com certeza, é a inflação, mesmo porque o governo Dilma [Rousseff] entrou agora e não quer ter esse problema”.

Dicas para a compra
A orientação dos especialistas é para a compra do dólar. “Como o dólar está muito próximo da baixa histórica, é bom já garantir a compra do dólar”, aconselhou Pellegrini. Milanov completa: “O dólar para compra hoje está excelente para o turista. Neste momento, eu compraria para viajar sossegado, sem medo nenhum”.

Pellegrini é favorável à ideia de compra da moeda aos poucos, para diminuir o risco de adquiri-la cara. “No momento, a maioria dos analistas tem mostrado que vai continuar em queda [o dólar], mas é sempre bom ficar de olho nos noticiários, para não ser pego no contrapé”. Já Milanov defende essa ideia também por outro motivo: “Se comprar aos poucos, não vai ter tanto impacto no orçamento mensal”.

Outra dica dada por Pellegrini é a compra de moeda em cartão pré-pago – que pode ser carregado no Brasil com a moeda estrangeira e ser usado no exterior para saques e compras -, ainda mais depois de o governo ter elevado o IOF em compras com cartões de crédito no exterior de 2,38% para 6,38%. “O cartão pré-pago é a melhor opção no momento, veio em substituição ao traveller check, o turista escapa do IOF do cartão e do risco cambial”, explicou ele.

De acordo com o gerente da Confidence, é sempre importante comprar a moeda do destino quando for viajar, mesmo que nele seja aceito o dólar, para que não tenha de fazer uma operação de câmbio no exterior em uma casa que não conhece.
 

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