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sábado, 23 de fevereiro de 2019 - 18h09min

Quem tem medo de Dilma Rousseff?

2 AGO 10 - 12h:07
Eu tenho. Não dessa boneca eleitoral, de sorriso fixo, maquiada por fora e por dentro. Por fora, transformada em uma mulher “sexy” e, segundo alguns, desejável. Pode ser, pois o mundo é sortido, dizia um velho pantaneiro - tem gosto para tudo. Por dentro, a maquiagem transformou-a num boneco de ventrículo, falando apenas aquilo que o marqueteiro determina. Prefiro a Dilma real que derrotaríamos facilmente sem segundo turno. A Dilma com aqueles óculos grossos de mulher mal amada e aquele olhar feroz de onça acuada. Essa é a Dilma que temo, a verdadeira.
A verdade de cada um, entretanto, não se esconde com maquiagem e sorrisos fixos. Somos aquilo que fazemos ou fizemos e aquilo que pensamos. Como é a verdade de Dilma? Trata-se de uma mulher com a cabeça feita e ideias claras e definidas. Faz pouco tempo ela se disse trotskista, isto é, uma comunista dissidente de Stalin, mas ainda marxista. Nego-me a discutir essas ideias que o mundo já experimentou e sepultou. Discuti-las parece-me hoje como bater em gato morto. Chega. Mas, elas dominaram o mundo na metade do século passado. Até na minha geração sentimos o chamamento entusiástico e patriótico de aplicar as ideias comunistas como solução aos tristes problemas sociais – a pobreza e a miséria. Mas isso já é passado. Assim, deixando de lado a doutrina, propomos o exame da ideologia em suas aplicações concretas, ou seja, na concreta solução proposta aos tristes problemas sociais. Essas experiências começaram na Rússia com a revolução de 1917. Com a dominação soviética de todo o leste europeu na Segunda Guerra, a experiência adquiria área suficiente para convencimento do ocidente. Some-se a China e leste asiático e teríamos mais da metade do mundo fazendo a nova experiência.
A queda do muro de Berlim, sem guerras, sem derramamento de sangue mostrou-nos o grande engano e o alegre desmonte da União Soviética. A própria China mostra-nos hoje, com evidências, o sucesso do seu capitalismo. Mas, se o objetivo era a luta pela ascensão do proletariado, por que não se fazer a comparação entre ocidente e oriente, quanto ao padrão de vida dos trabalhadores? Fiz essa comparação em visita à Alemanha Oriental, o país comunista mais bem-sucedido, e a Alemanha Democrática. A diferença causava assombro e tristeza. Compare-se a triste e pobre Cuba com qualquer país sul americano. Compare-se a Coreia do Sul democrática, que já se diz do primeiro mundo e a Coreia do Norte, oprimida e infeliz. Parece desmedida, mas que se faça a comparação do padrão de vida do operário americano ou europeu com os países comunistas do passado. Podemos também comparar o operário russo de antes e depois da queda do muro de Berlim.
Essas experiências nos levam a uma pergunta patética e assombrosa: diante das evidências, do insucesso do marxismo, por que há ainda gente sonhando com o atraso? Por que a Dilma e sua célula da Casa Civil pretendem governar o nosso país pautados nessas experiências que sempre fracassaram pelo mundo todo? Veja-se, próximo de nós, o modelo Hugo Chaves destruindo a economia venezuelana que era a mais rica e estável da América Latina. Por que devemos segui-lo? Além disso, há uma pergunta cruel e trágica: por que a implantação do comunismo no mundo só se fez com total negação da liberdade individual? Aí se insere a causa maior do meu medo de Dilma Rousseff. Ela sonha com o chamado Estado Forte que se sobrepõe aos partidos e à liberdade de imprensa, que fará a estatização total da economia e a extinção do livre mercado. Aí se insere o meu temor.   

Abílio Leite de Barros, produtor rural
albcg@terra.com.br
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