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Queda no preço da carne vai demorar

15 MAR 2011Por folha00h:02

O aumento dos preços da carne bovina para o consumidor brasileiro em 2010 foi significativo: 32% entre janeiro e dezembro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getulio Vargas.

Em termos do peso desse item no orçamento do consumidor (3,7% do total do gasto mensal) ele representa a maior importância dentro do grupo alimentação (cerca de 29% do total de gastos mensais). Nesse contexto, as variações dos preços da carne bovina nos primeiros meses de 2011 (-1,2% em janeiro e -3,3% em fevereiro) vieram como uma boa notícia.

Entretanto, esses são os meses em que os preços normalmente caem em todos os anos, refletindo o aumento de oferta no período.

Ao levar em conta esse fator, os números ajustados sazonalmente mostram quedas bem menores (-0,1% em janeiro e -0,6% em fevereiro).

A perspectiva para o consumidor não é favorável daqui em diante: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPPA), também medido pela FGV, mostra, no primeiro decêndio deste mês, elevação de 3,4% no preço da carne bovina, que havia caído 9,9% no mês anterior.

A transmissão do preço do atacado (produtor) para o varejo (consumidor) nessa mercadoria não é imediato nem perfeito, mas a correlação é muito clara.

Uma análise estatística baseada nas séries históricas entre janeiro de 2003 e fevereiro de 2011 mostra que, com no máximo um mês de defasagem, 58% das variações dos preços da carne bovina no atacado são transformadas em variações dos preços da carne bovina para o consumidor.

Assim, os números recentes apontam para uma reversão da tendência de queda do preço para o consumidor já nas próximas semanas.

O início de uma tendência efetiva de queda dos preços da carne bovina não parece provável, pelo menos nos próximos meses.

Sendo o Brasil atualmente o maior exportador mundial de carne bovina, a dinâmica dos preços dentro do país está diretamente ligada à dos preços internacionais.

Ainda que a recuperação da economia mundial venha em ritmo relativamente lento nos países centrais, uma nova classe de consumidores vem se juntando aos mercados de dietas ricas em proteínas nos países emergentes, principalmente no caso da China e do próprio Brasil.

Após redução no rebanho mundial em 2007/2008 (também no caso brasileiro), a recomposição motivada pelo aproveitamento dos preços favoráveis ainda não parece suficiente para compensar o aumento da demanda de forma suficiente para reverter o patamar elevado dos preços atuais.

Adicionalmente, as perspectivas da evolução do preço dos insumos para o setor pecuário não contribuem para um cenário favorável, com as rações animais seguindo os aumentos dos preços dos grãos e dos cereais, e os fertilizantes sendo afetados pelo preço do petróleo em alta.

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