Terça, 20 de Fevereiro de 2018

Queda em juros não chega ao consumidor

22 OUT 2010Por VERA HALFEN05h:40



As taxas de juros das operações financeiras continuaram a tendência de queda e setembro registra percentuais menores ao comparar com agosto. Porém, para o consumidor, essa queda vai significar menos de R$ 1 no valor total da compra de R$ 100 em 12 meses. Por outro lado, o cartão de crédito manteve as taxas de juros (10,69% ao mês) e também o Crédito Direto ao Consumidor (CDC), para financiamento de automóveis, não apresentou redução em setembro e mantém a média de 2,37% ao mês.
Para o economista Normann Kalmus, “a queda dos juros nesses patamares em que ocorre, no máximo, pode se constituir um indicativo de tendência, mas não uma vantagem real para o consumidor”. Ele exemplifica com a compra de um bem adquirido por R$ 1 mil, em dez meses. “Nesse período, ele passa a custar quase 30% a mais no caso do CDC e 33% a mais no crediário. Com sorte, talvez o consumidor possa comprar uma bala a mais no mês com toda essa diferença, pois fica em torno de R$ 0,30. Não é essa a conta correta a ser feita”.
Segundo o economista, “o problema real surge quando percebemos que um produto que custaria R$1.000, em dez meses passa a custar quase 30% a mais no caso do CDC e mais de 33% a mais, no crediário, em dez meses”.
Por outro lado, de acordo com Kalmus, se o consumidor reservasse os mesmos R$133 por mês, em menos de oito meses poderia comprar o mesmo bem à vista. Como alternativa, poderia ainda guardar o dinheiro, por exemplo, na poupança, durante os mesmos dez meses teria em conta mais de R$1.360 e teria um poder de compra ainda maior”.
Os juros para compras no comércio recuaram de 5,68% para 5,65% ao mês. De acordo com o economista Sérgio Bastos, a queda verificada nos juros é um avanço, mas pouco significativo. Ele exemplifica, com base nos juros praticados em setembro, que uma compra a vista de R$ 100, passa a custar, em 12 meses, R$ 140,40. Com os juros de agosto,  mesmo valor financiado ficaria em R$ 140,63.
Já em relação ao cartão de crédito, Bastos frisa que “é um meio de pagamento atraente, pois o consumidor pode adquirir um produto quando quiser, mesmo sem ter dinheiro no momento, e pagar depois, quando a fatura do cartão vence. Entretanto, caso não seja pago o total da compra, o consumidor incorre em juros estratosféricos”. No caso de uma fatura de R$ 600, ao pagar 50% dela (R$ 300), o acréscimo será de R$ 32,07 de juros na próxima parcela.

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