segunda, 16 de julho de 2018

Que tal praticar o “slow food”?

10 NOV 2010Por CRISTINA MEDEIROS05h:15

Um movimento surgido na Europa – e que já ganhou adeptos no Brasil – é um grande aliado na hora de apreciar uma boa comida. Trata-se do “slow food”, que prega que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, “curtindo” seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade.

A ideia é a de se contrapor ao espírito do fast food e o que ele representa como estilo de vida. Há muitos chefs brasileiros oferecendo esse tipo de experiência a seus clientes, inspirados no movimento “slow food”, que segue os preceitos acima.

“Antes, quando você comia um prato maravilhoso, não pensava no que estava por trás. Não tinha preocupação com o produtor e o ambiente, era o prazer do momento”, diz Margarida Nogueira, uma das fundadoras do slow food no Brasil.
A seguir, conheça melhor fundamentos e projetos do movimento.

ARCA DO GOSTO
É um catálogo criado pelo movimento slow food com alimentos ou produtos considerados especiais pela comunidade e que correm risco de desaparecer – seja pela devastação do seu território de cultivo ou pela perda da receita tradicional. Já são mais de 750 itens no mundo, e 21 deles são do Brasil, como a marmelada de Santa Luzia, o pequi e o palmito juçara. A ligação com uma região geográfica e a produção artesanal e sustentável são critérios de inclusão na Arca.

TERRA MADRE
É um encontro mundial de produtores, representantes de comunidades locais, cozinheiros e acadêmicos, que acontece a cada dois anos, desde 2004. O primeiro Terra Madre foi realizado em Turim, na Itália, e reuniu 5 mil produtores de várias artes do mundo. Nesses eventos, são discutidos temas como biodinâmica e engenharia genética.

FORTALEZAS
São projetos criados para viabilizar a produção e a comercialização de alimentos selecionados da Arcado Gosto. Participam das iniciativas pequenos produtores, técnicos e entidades locais. No Brasil, há nove desses projetos, sendo o do umbu o mais antigo.

OFICINAS DO GOSTO
São encontros curtos, com degustações e palestras informais de produtores e especialistas, voltados à educação do paladar. Há degustação e comparações entre produtos da safra e os demais. No Rio, 3 mil crianças já participaram de oficinas sobre mandioca e tapioca.

PIQUENIQUES
Alguns adeptos do movimento transformaram os piqueniques tradicionais em curtas viagens gastronômicas.

BOM, LIMPO E JUSTO
De acordo com os fundamentos do slow food, o alimento deve ser saboroso, artesanal e cultivado sem causar mal à saúde, ao ambiente ou aos animais. Seus produtores devem receber um “valor justo” pelo trabalho. O ideal é que a produção seja agroecológica – em pequena escala e independente das pressões do mercado.

CONVIVIUM
São grupos locais em que se organizam os 100 mil associados ao slow food em todo o mundo, para fazer degustações e palestras; no Brasil, há grupos em 20 cidades. (CM)

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