Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

Quatro em cada dez crianças vítimas de abuso sexual são agredidas pelo próprio pai

19 MAI 2011Por R705h:00

Uma pesquisa realizada no HC (Hospital das Clínicas) da USP (Universidade de São Paulo) revelou que o combate e a prevenção de abusos sexuais a crianças precisam ser feitos, principalmente, dentro de casa. Segundo o estudo, quatro de cada dez crianças vítimas de abuso sexual foram agredidas pelo próprio pai e três, pelo padrasto. Hoje é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.

Os resultados foram obtidos após a análise de 205 casos de abusos a crianças ocorridos de 2005 a 2009. As vítimas dessas agressões receberam acompanhamento psicológico no HC e tiveram seu perfil analisado pelo Nufor (Programa de Psiquiatria e Psicologia Forense) do hospital. 

Segundo Antonio de Pádua Serafim, psicólogo e coordenador da pesquisa sobre as agressões, em 88% dos casos de abuso infantil, o agressor faz parte do círculo de convivência da criança. 

O pai (38% dos casos) é o agressor mais comum, seguido do padrasto (29%). O tio (15%) é o terceiro agressor mais comum, antes de algum primo (6%). Os vizinhos são 9% dos agressores e os desconhecidos são a minoria, representando 3% dos casos.
Para Serafim, as crianças serem vítimas dentro da própria casa é um fato gritante. 

- É gritante o fato de o pai ser o maior agressor. Ele é justamente quem deveria proteger. 

A pesquisa coordenada pelo psicólogo mostra também que 63,4% das vítimas de abuso são meninas. Na maioria dos casos, a criança abusada, independentemente do sexo, tem menos de 10 anos de idade.

Para Serafim, até pela pouca idade das vítimas, o monitoramento das mães é fundamental para prevenção dos abusos. Muitas crianças agredidas não denunciam os agressores. 

De acordo com o pesquisador, as crianças dão sinais de abusos em seu comportamento. 

- As mães devem estar atentas às mudanças de humor das crianças. Uma mudança brusca na maneira de agir é a maior sinalização de abuso.

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