Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

Quanto mais verde o mar, maior a chance de furacões

14 AGO 2010Por 02h:30
     

 

Uma mudança na cor das águas do oceano pode ter um efeito drástico na quantidade de furacões, segundo uma nova pesquisa.

Em uma simulação de uma região do Pacífico Norte, a formação de furacões caiu em 70%. Essa seria uma grande queda para uma região responsável por mais da metade dos furacões registrados no mundo.

A formação de tufões - como os furacões são chamados na região - é fortemente mediada pela presença de clorofila, um pigmento verde que ajuda minúsculos organismos marinhos (fitoplâncton) a converter a luz do sol em alimento para o restante do ecossistema marinho. A clorofila contribui para a cor do oceano.

"Pensamos normalmente que os oceanos são azuis, mas na verdade eles são esverdeados", diz Anand Gnanadesikan, pesquisador do Noaa (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera, na sigla em inglês). "O fato de os oceanos não serem azuis tem um impacto direto na distribuição de ciclones tropicais."

No estudo, que será publicado na próxima edição do periódico "Geophysical Research Letters" a equipe de Gnanadesikan descreve como uma queda na concentração de clorofila, e a consequente mudança na cor do oceano, poderia causar uma queda na formação de furacões.

Menor concentração de clorofila implica maior penetração de luz solar no oceano, o que resfria a superfície do mar. A queda na temperatura da superfície afeta a formação de furacões porque água fria fornece menos energia e os padrões de circulação de ar mudam, dificultando a formação de furacões.

Estudos recentes mostraram que a quantidade de fitoplâncton nos oceanos caiu ao longo do século 20. A queda na quantidade de furacões no Pacífico Norte apoia assim os resultados da simulação e ilustra como mudanças nas concentrações de clorofila pelo globo podem ter efeitos não previstos.

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