Sábado, 16 de Dezembro de 2017

Comportamento

Quadrinhos para adultos ganham novos públicos

30 JAN 2014Por EDUARDO FREGATTO10h:52
Hoje é comemorado o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, conhecidas também como HQs, gibis ou “comic books”.  No Brasil, o exemplo mais popular do gênero são as aventuras vividas pela “Turma da Mônica”, obra criada em 1959 por Mauricio de Souza. As confusões de Mônica e Cebolinha fizeram e continuam a fazer parte do imaginário infantil do País.
O apelo da baixinha dentuça pode causar a impressão errada – mas de certa forma comum – de que as histórias em quadrinhos são exclusivamente infantis e voltadas para crianças e adolescentes.
 
Na verdade, é por meio de balões de diálogo e onomatopeias como “Grrr” e “POW” que diversas histórias complexas e adultas, algumas inclusive não recomendadas para menores de 18 anos, são contadas. O universo das HQs não se resume à Turma da Mônica ou aos super-heróis norte-americanos.
 
GENTE GRANDE
O empresário Rafael Garcez, 29 anos, trocou a literatura tradicional pelas histórias contadas em quadrinhos. Apesar de apreciar ambos os formatos e ser fã de autores como Dan Brown e Stephen King, Garcez não nega a preferência pelos gibis.“O livro estimula bem a imaginação. Já o quadrinho é uma leitura mais dinâmica”, opina. “Tento ler o máximo que puder das HQs, até para poder indicar aos clientes da loja”.
 
Além de entusiasta do gênero, Garcez também é proprietário de uma loja em Campo Grande especializada em “comic books” (as histórias em quadrinhos, em inglês). Em sua experiência diária, lida com o preconceito das pessoas que não esperam encontrar histórias maduras nas páginas de desenho. “O discurso muda quando eu abro o quadrinho e mostro um pouco para a pessoa”, afirma.
 
Para outro fã do universo de HQs, o vendedor Magno Mustang, 33 anos, o preconceito com os gibis é algo que já está no passado. “Só pessoas muito antigas acham que quadrinhos são só para crianças”, avalia. “Hoje as pessoas veem nos cinemas histórias adaptadas que são muito adultas, como Constantine”, cita, sobre a trama de exorcismo que envolve violência gráfica e o sobrenatural.
 
CRÍTICA SOCIAL
Histórias sombrias ou sangrentas não são garantia de um enredo realmente inteligente e complexo. Então afinal, os quadrinhos para adultos têm conteúdo? O estudante Lucas Lotufo, 22 anos, defende que sim.
 
Uma de suas histórias preferidas, a série “Watchmen”, de 1986, é a única HQ listada no tradicional Prêmio Hugo, voltado à literatura tradicional. Também aparece na lista dos 100 melhores romances desde 1923 eleitos pela revista norte-americana Time.
 
“Eles fazem um certo tipo de crítica à sociedade ou ao sistema de uma forma diferenciada”, diz Lucas, ao tentar explicar o imenso reconhecimento da obra. “Isso acrescenta muito”, define.

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