domingo, 22 de julho de 2018

31 anos

PT encara desafio de ser governo sem Lula

10 FEV 2011Por 16h:57

Em outubro do ano passado, o PT encarou pela primeira vez uma disputa presidencial sem mandar a campo a sua principal estrela. Impedido por lei de tentar o terceiro mandato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se transformou em um poderoso cabo eleitoral e foi um dos principais responsáveis pela vitória de Dilma Rousseff, sua ex-ministra.

Novos desafios, porém, surgem no horizonte. Ao completar, nesta quinta-feira (10), 31 anos de história, sendo oito no Palácio do Planalto, o PT se depara agora com a inédita situação de ser governo sem Lula, que retorna hoje à condição de presidente de honra do partido.

Mas, se é certo que, como ex-presidente, Lula já não terá a influência de outros tempos, por outro lado ninguém acha que ele se contentará com a condição de mero espectador. Questionado sobre o papel a ser desempenhado pelo ex-presidente, José Eduardo Dutra, presidente do PT, disse que é um engano achar que Lula “vestirá o pijama”.

Os petistas ressaltam, porém, que há diferença entre opinar sobre o governo e externar posições sobre o futuro do país. Neste caso, o entendimento é de que Lula será importante para levar ao debate público as demandas e bandeiras do partido que fundou em 1980.

O deputado federal Ricardo Berzoini, que foi ministro no governo anterior e presidiu o PT entre 2007 e 2010, diz que, mesmo com a troca de comando no Palácio do Planalto, pouco mudará para o PT.

- Entendemos que este é um governo de prosseguimento do governo Lula, e que, de certa forma, dá continuidade também a essa relação intensa com o PT. Temos já um bom diálogo em relação às principais políticas e esperamos consolidar esse processo nos próximos meses.

Para ele, o objetivo central do PT neste momento, em que se inicia o novo governo, é continuar a defender suas bandeiras, pautando o debate.

- [Vamos] continuar elaborando políticas para os grandes objetivos nacionais, que são a redução da desigualdade social, a redução da desigualdade regional e o crescimento da economia para garantir uma vida digna para o povo brasileiro. Tivemos grandes avanços no governo Lula, mas precisamos avançar mais.

Eleição

Questionado sobre o peso de Lula para a vitória de Dilma na sucessão presidencial do ano passado, Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do partido, reconhece a importância do ex-presidente como cabo eleitoral, mas ressalta que, sem a organização e a capacidade de mobilização do PT, não teria sido possível derrotar a oposição no segundo turno.

- Sem partido, sem movimentos sociais, sem a esquerda em geral, não teríamos vencido. Minha ênfase é na organização coletiva.

Com 1,4 milhão de militantes, o PT é, atualmente, talvez o único partido ainda capaz de mover massas em apoio a seus candidatos. Durante a campanha do ano passado, foram inúmeros os comícios realizados em todo o país, ocasiões em que Lula subia ao palanque e apresentava Dilma aos eleitores.

O cientista político Claudio Couto, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diz que o PT preservará sua força mesmo com a ausência de Lula, que foi o representante da sigla na eleição paulista de 1982 e nas disputas presidenciais de 1989, 1994, 1998, 2002 e 2006.

- É um partido que cresceu muito historicamente, basta ver o número de parlamentares eleitos. Lula fará falta, mas o partido continua forte.

No Legislativo federal, o PT tem hoje 88 deputados (maior bancada da Câmara) e 15 senadores. Além disso, governa quatro Estados e o Distrito Federal e elegeu 560 prefeitos no pleito municipal de 2008.

Embora acredite que o ex-presidente continuará a ser uma “liderança histórica”, o especialista afirma que, com Lula fora do centro da cena política, o PT terá a oportunidade de “trabalhar por novas lideranças” e “fortalecer sua imagem como partido”. Neste caso, perderia espaço o personalismo encarnado pelo mítico líder operário que chegou ao governo.

Leia Também