Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

LUTA POR ESPAÇO

PT briga para retomar cargos milionários do rival PMDB em MS

17 JAN 2011Por Fernanda Brigatti00h:00

O PT de Mato Grosso do Sul quer retomar os cargos federais milionários que hoje estão nas mãos do arquirrival PMDB, mas também defende a manutenção de postos ocupados por partidos aliados, como o PDT e o PR. Para o deputado federal Vander Loubet (PT-MS), a discussão do segundo escalão federal no Estado seguirá o critério de quem apoiou ou não a eleição da presidente Dilma Rousseff (PT). A Fundação Nacional de Saúde (Funasa), alvo de uma das disputas mais acirradas entre PMDB e PT em nível nacional, é também cobiçada pelos petistas no Estado. Hoje, a pasta é do PMDB.

Vander avalia que o momento é de redescutir a ocupação de cargos federais. Segundo ele, a discussão passará também pelo deputado federal Antonio Carlos Biffi (PT), o senador Delcídio do Amaral (PT) e ainda outros agentes políticos que estarão sem mandato em 2011, como senador Valter Pereira (PMDB), o deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT) e o ex-governador José Orcírio dos Santos (PT).

"Aqueles que estão dando certo, não tem porque trocar. Agora tem alguns que, pra gente, é uma questão de espaço mesmo", disse. "A Funasa era do PT, quando foi para o PMDB (o Ministério da Saúde), eles assumiram. Agora voltou para o PT e eu advogo que a Funasa tem que ser do PT (no Estado)", defendeu.

A Superintendência Regional da Funasa é hoje chefiada por Flávio Brito, do PPS, indicado pelo deputado federal Geraldo Resende (PMDB) com aval do governador André Puccinelli (PMDB). Diferente do padrinho político, que declarou apoio a Dilma Rousseff na campanha presidencial, Brito acompanhou André Puccinelli e a orientação nacional do PPS, de apoio a José Serra (PSDB).

Esse tipo de comportamento será decisivo na definição dos cargos federais, avalia Vander.

"Nós temos que discutir isso. Quem apoiou Dilma é quem vai ocupar esses espaços. E eu defendo que a gente, o Biffi, Delcídio, o PT todo, Dagoberto, com Valter Pereira, que esteve diretamente na campanha da Dilma, para ocupar esses espaços", disse.

O senador Valter Pereira foi um dos coordenadores da campanha presidencial no Estado. A indicação na Superintendência Regional do Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) era dele, mas Waldir Cipriano Nascimento, irmão do presidente regional do PMDB, Esacheu, foi exonerado depois de ser preso pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de fraude em processos de reforma agrária.

Além da Funasa e do Incra, também estão nas mãos do PMDB a Superintendência Federal de Agricultura (SFA) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Vander defende que além da Funasa, a PRF retorne ao controle dos petistas. A partir do dia 25 deste mês, antes de voltarem aos trabalhos, os deputados e o senador da base do governo devem se reunir para começar a definir as indicações.

Em reunião com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, Vander e os demais petistas já teriam relatado a concordância em manter Marcelo Miranda à frente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Estado, indicado pelo PR. O mesmo deve acontecer com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que hoje tem na Superintendência o agrônomo David Lourenço, quadro do PT. "Eu particularmente acho que deva continuar, mas tem que ouvir o Delcídio, ouvir o Zeca, ouvir o Dagoberto", disse.

Dagoberto, que perdeu a disputa por uma das duas vagas ao Senado, está indicado para a presidência da Eletrosul, cargo pleiteado pelo PDT. Para Vander, o pedetista tem grandes chances de conquistar o posto e terá o apoio da bancada.

Fogo amigo
Os cargos de segundo escalão do Ministério da Saúde estão sendo cobiçado ferozmente pelos dois principais partidos da base de Dilma. A razão são os R$ 77,3 milhões de orçamento livre do setor. Até 2010, o ministério estava com o PMDB de Luiz Gomes Temporão. Agora está com Alexandre Padilha, do PT, que foi das Relações Institucionais no governo Lula.

A disputa entre os dois azedou depois que Padilha revogou a indicação do peemedebista Faustino Lins e acolheu a escolha do empreiteiro Gilson de Carvalho Queiroz Filho, pelo PT mineiro.

Segundo o deputado federal Geraldo Resende, o ministro Alexandre Padilha deve começar a convocar, nesta semana, os parlamentares da Frente da Saúde para dar início às negociações de indicações no Estado. Geraldo afirma, no entanto, que não reivindica indicar cargos no governo federal e que a nomeação de Flávio Brito foi aprovada pela bancada.

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