Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

CONTRA MULHERES

Psicóloga explica o que leva homens a cometerem crimes sexuais

16 ABR 2011Por DA REDAÇÃO22h:30

“Na maioria dos casos o estuprador também foi vítima de abusos” relata uma psicóloga que já atendeu presos acusados de estupro e pediu que sua identidade fosse preservada por questões éticas e por sigilo da profissão.

De acordo com ela, não existe um perfil para esse tipo de pessoa. “O que eu percebi é que são pessoas muito educadas, comunicativas e quem conhece ele fora dessa situação opressora não consegue identificar esse lado negativo”, completa a psicóloga.

Na maior parte dos casos, eles também sofreram abusos na infância, por isso a recomendação é de que os pais fiquem atentos aos filhos, “Uma criança que é alegre, está sempre brincando e de repente muda de comportamento, deve ser observada com atenção e, se possível, ter um acompanhamento psicológico para detectar se aconteceu algo de errado” ressalta a especialista.

Violência contra a mulher

Mais de 200 casos de violência contra a mulher são registrados por mês na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), sendo a maioria deles de violência doméstica. Após os recentes casos de estupros que apareceram na mídia esta semana, como o caso ocorrido segunda-feira (11), onde uma acadêmica de química foi violentada no campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a delegada titular da Deam Christiane Grossi Araújo Rocha, acalma a população e revela que foi registrada apenas uma ocorrência de estupro durante esta semana.

De acordo com a delegada, os casos relatados na mídia esta semana já estavam sendo investigados e que devido a repercussão, o assunto ganhou mais destaque na mídia.

Segundo Christiane, a principal dificuldade da polícia é encontrar o agressor, pois as descrições informadas pelas vítimas nem sempre coincidem com o perfil real do acusado. A delegada atribui essa dificuldade ao medo, que torna o agressor muito maior do que ele realmente é e distorce as características físicas do acusado, “No caso das vítimas que foram violentadas pelo Robson [acusado de ter estuprado 9 mulheres, entre elas a acadêmica de química da federal], houve uma distorção nas descrições, enquanto uma vítima informou que a altura dele era de 1,85m, outra vítima relatou que ele não media mais de 1,70m” esclarece Christiane.

A delegada comenta que em casos em que não há como a vítima escapar, é importante manter a calma, principalmente para preservar a integridade física. Se possível se atentar aos detalhes físicos do autor da ação, como uma marca no corpo, uma tatuagem específica ou alguma característica peculiar que ajude na identificação do suspeito.

O principal fator que contribuiu na investigação do estupro da acadêmica na última segunda-feira (11) foi a tranquilidade apresentada pela vítima e a colaboração com a polícia, esclarece a delegada.

“As mulheres estão mais confiantes no trabalho da polícia e estão denunciando seus agressores, isso é bom”, relata Christiane, que completa dizendo que é fundamental que as vítimas façam a denúncia e colaborem no que for preciso com o trabalho da polícia.
 

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