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PAÍS

Protestos do MST mobilizam 16 Estados e Brasília

16 ABR 2011Por FOLHA ONLINE13h:28

A Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária mobilizou nesta semana 16 Estados, somando-se ainda a atividades em Brasília, na Câmara, em lembrança aos 15 anos de impunidade do massacre de Eldorado do Carajás (PA).

Segundo o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), são mais de 18 mil famílias em luta, totalizando mais de 50 ocupações de latifúndios, mobilizações em 13 sedes do (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), além de fechamento de estradas, acampamentos, debates com a sociedade, audiências públicas e ações em diferentes órgãos dos governos locais, responsáveis pela questão agrária.

Ainda ocorreram nesta semana reuniões com o governo federal, com a participação de Secretaria Geral da Presidência e os ministérios do Desenvolvimento Agrário e Educação.

O movimento informou que, na última quarta-feira (13), o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) anunciou o compromisso do governo em responder às pautas apresentadas até a data limite do dia 2 de maio.

Entre as reivindicações estão a recomposição do orçamento para a reforma agrária, para as demandas da educação do campo e a renegociação das dívidas dos assentados.

No dia 17 de abril de 1996, 19 pessoas foram mortas por policiais em Eldorado do Carajás.

Estados e Brasília

Em Alagoas, na quinta-feira (14), cerca de mil famílias promoveram ações em todo o Estado. A BR-101 está bloqueada nos municípios de Joaquim Gomes e Junqueiro. A agência do Banco do Brasil de São Luiz do Quitunde está ocupada pelos agricultores da região. Ações de diálogo com a população ainda estão sendo realizadas na cidade de Delmiro Gouveia.

Na Bahia, cerca de 3.000 famílias estão acampadas na Seagri (Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária) de Salvador desde segunda-feira. Anteriormente, os sem-terra estiveram no Incra. O acampamento quer garantir o assentamento de 25 mil famílias no Estado, além de educação, saúde e crédito agrícola. Desde o início do mês, 36 fazendas foram ocupadas na Bahia, envolvendo mais de 10 mil famílias.

No Distrito Federal, mais de 300 famílias ocuparam a "Reserva D", do núcleo rural Alexandre Gusmão, em Brazlândia (DF). A área improdutiva tem 4.000 hectares e pertence ao Incra desde 1962. Ainda na quinta-feira (14), cerca de 200 famílias ocuparam a sede do Incra em Brasília.

Em Brasília, na quinta-feira (14), a Câmara dos Deputados realizou o seminário "Eldorado do Carajás 15 anos de impunidade".

No Ceará, o MST mantém ocupadas as sedes do Incra e da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, do governo do Ceará, em Fortaleza. Os protestos mobilizam 800 famílias desde segunda-feira (11) e cobram a realização da reforma agrária e políticas de desenvolvimento dos assentamentos. Foram realizadas também quatro ocupações de terra no interior do Ceará. O movimento reivindica uma audiência com o governador Cid Gomes (PSB).

Em Goiás, desde o último domingo (10), cerca de 800 famílias ocupam o Incra.

No Maranhão, na quinta-feira (14), cerca de 400 trabalhadores ocuparam as sedes do Incra em Imperatriz e São Luiz.

No Mato Grosso, desde segunda-feira (11), mais de 300 famílias MST estão acampadas no Trevo do Lagarto, na saída de Várzea Grande, reivindicando legalização de assentamento no Estado e melhoria na estrutura nos locais já assentados. Na mesma manhã, os sem-terra interromperam o tráfego nas BR-364 e 163, liberando-as após o inicio do diálogo.

No Rio de Janeiro, na tarde de quinta-feira (14), cerca de 400 famílias ocuparam a sede do Incra na capital, aonde permaneceram acampados. No mesmo dia, o MST foi homenageado com a maior comenda do estado do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

No Rio Grande do Sul, cerca de 500 assentados ocupam o Incra desde terça-feira (12), em Porto Alegre, e permanecem no local por tempo indeterminado. À tarde, as famílias iniciaram as negociações com o governo estadual para tratar da pauta de reivindicações que foi entregue ainda em fevereiro.

Em Rondônia, na quarta-feira, 500 famílias do MST ocuparam a sede da Unidade Avançada do Incra, em Ji-Paraná.

Em Santa Catarina, o MST realizou duas ocupações na manhã de quinta-feira, na fazenda Xaxim 1, localizada no município de Curitibanos, com 150 famílias, e da fazenda Batatais, com 100 famílias, em Mafra. Militantes ainda tiveram audiências com o Incra do Estado para levar as reivindicações das famílias.

Em São Paulo, na terça-feira (12), mais de 200 famílias do MST distribuíram cerca de uma tonelada de alimentos para as pessoas que passavam pela praça do Palácio do Rio Branco, sede da prefeitura de Ribeirão Preto. Segundo integrantes do movimento, os alimentos foram produzidos sem a utilização de agrotóxicos.

Em Sergipe, cerca de 300 famílias realizaram na quarta-feira (13), um acampamento em frente ao Incra em Aracaju. As famílias reivindicam uma audiência pública com a Secretaria de Estado da Agricultura e com a superintendência do Incra.

No Pará, entre os dias 10 e 17 de abril, o MST realiza a Semana Nacional de Luta Camponesa e Reforma Agrária no Pará, contando uma série de atividades que marcam os 15 anos do assentamento 17 de Abril, como também relembra o massacre de Eldorado do Carajás.

Na Paraíba, desde domingo (10), cerca de mil famílias participam das mobilizações no Estado, aonde ocorreram três ocupações no interior. Na manhã de terça-feira (12), os sem-terra acamparam na sede do Incra, em João Pessoa.

No Paraná, na quinta-feira (14), o MST vai realizou um ciclo de audiências públicas para discutir o desenvolvimento em áreas de reforma agrária no norte e centro-oeste do Paraná.

Em Pernambuco, cerca de 80 famílias ocuparam a fazenda Santa Rita, no município de São Bento do Una, agreste pernambucano, na manhã de quinta-feira.

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