Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

CORUMBÁ

Proprietários de imóveis começam despoluição visual da área central de Corumbá

20 OUT 2010Por 10h:22

Estabelecimentos comerciais do centro de Corumbá já começaram as intervenções para despoluição visual dos prédios situados no entorno do Casario do Porto. A ação determinada por uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) é supervisionada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e deve ser concluída em toda a área até o final de 2011.

Uma das primeiras lojas que já começaram a intervenção na fachada foi a Tecelagem Avenida, onde os grandes painéis que cobriam a parte superior do prédio localizado na esquina das ruas Frei Mariano e Delamare, já foram retirados. As obras continuam para recuperar os traços arquitetônicos e as cores da antiga construção.

O gerente, José Augusto Bernardino, vê com bons olhos a ação de despoluição e confessou que o estabelecimento, que integra uma rede de lojas em todo país, já passou por essa situação em outras cidades.

“Nas capitais, a gente já sofreu isso. Em Cuiabá, por exemplo, tivemos que retirar tudo e manter a estrutura do prédio natural com o mínimo de interferência. Aqui, na hora que o IPHAN determinou não foi nenhum susto, a empresa já estava preparada pra isso, existia projeto relacionado a essa norma”, declarou ao Diário.

Numa loja que vende bijuterias, na rua Frei Mariano, o grande letreiro formado por pequenas placas que refletiam a luz, fazendo referência ao material metálico dos produtos vendidos, também teve que sair da frente do prédio. Para não descartar o recurso de divulgação, ele foi instalado num espaço dentro da loja.

“Teve que ser retirado e colocamos o letreiro aqui dentro. Minha chefe está estudando um outro projeto que divulgue, mas conserve a fachada, conforme o IPHAN determina”, comentou a vendedora Jéssica da Silva Moura.

Já o prédio da proprietária Wilma Anache é um dos poucos que não sofrerão mudanças com a determinação legal. É que a construção, datada de 1914, mantém sua originalidade e, atualmente, se destaca das demais localizadas na rua Frei Mariano.

“Eu acho que isso é importante pra cidade. Corumbá é história, tem mais de 230 anos. A cidade é muito bonita mesmo, o povo é alegre, comunicativo, então temos que manter o que é nosso”, afirmou.

Pela recomendação do Ministério Público cabe ao município de Corumbá fomentar a adequada preservação dos imóveis situados na área de entorno do Casario do Porto, com efetiva fiscalização dos imóveis e ampla divulgação e aplicação dos benefícios fiscais previstos na Lei Complementar Municipal nº 100/2006. Esta lei concede isenção parcial de IPTU a imóveis dotados de valor histórico em bom estado de conservação.

Projetos e retirada de fiação

Patrícia Gomes Marques, chefe do escritório técnico II – Corumbá, do IPHAN, lembra que a ação de despoluição visa mais do que colocar em evidência somente os traços arquitetônicos. Ela ressalta que essa medida ajuda a revelar a própria história de Corumbá considerada uma das cidades mais importantes dentro do contexto histórico e cultural em Mato Grosso do Sul.

A chefe do escritório técnico explicou que o prazo tão dilatado para a conclusão da despoluição visual, até dezembro de 2011, é justificado, pois são necessárias várias etapas nesse processo.

“Não é chegar lá e ir tirando os letreiros. O proprietário tem que apresentar um projeto, que passa pelas vistas do IPHAN e depois da Procuradoria da República para então, começarem as ações. Nisso, projetos são reavaliados, sofrem alterações até chegar ao ideal”, disse.

Patrícia falou também sobre a retirada dos postes de fiação de energia elétrica e telefonia que contribuem para a poluição da área de entorno. Segundo ela, as obras para aterramento das fiações devem ser implementadas até dezembro deste ano, pois o projeto já foi aprovado junto ao Governo Federal, dentro do PAC das Cidades Históricas, o que significa liberação da verba solicitada.

O projeto do IPHAN para despoluição visual envolve 41 imóveis construídos entre os anos 10 e 40 do século passado, situados nas ruas Frei Mariano, 13 de Junho e Delamare.

Fonte: Diário Corumbaense

Leia Também