terça, 17 de julho de 2018

ESTRAGOS DA CHUVA

Projeto ruim, obra malfeita ou ira divina?

12 JAN 2011Por MILENA CRESTANI 00h:00

 

Até agora, o Governo Federal já liberou R$ 49 milhões (R$ 29 milhões na primeira fase, mais R$ 20 milhões na segunda, ainda em execução) e as inundações nos córregos Prosa e Anhanduizinho continuam cada vez mais graves. Nesta última, da semana passada, o nível de destruição foi impressionante e fica a pergunta: como é que a Prefeitura vai justificar, ao Ministério das Cidades, tantos investimentos para quase nada? Não há, evidentemente, necessidade de questionar-se quem pagará a conta. A resposta é mais do que simples: o povo.

Para quem vê as tragédias de cada inundação, fica sempre o questionamento: o projeto foi malfeito? Ou as obras é que foram executadas de forma incorreta? Há quem fale em ira divina. Mas essa hipótese é a pior possível, porque ira divina seria nunca chover. Perguntar aos moradores de quem é a responsabilidade, a resposta está na ponta da língua: é da Prefeitura.

Levando-se em consideração que o projeto inicial já foi remodelado e readaptado, não se sabe – e ninguém explica – qual a verdadeira razão para que nunca nada dê certo, em se tratando dos córregos Prosa e Anhanduizinho. Nenhuma explicação técnica, nem por parte do prefeito Nelson Trad Filho, muito menos vinda do secretário municipal de Infraestrutura, o engenheiro eletricista João Antônio De Marco.

O secretário chegou a justificar que os prejuízos causados pelos alagamentos registrados na quinta-feira são de responsabilidade da empreiteira responsável pela execução das obras, pois as mesmas ainda não foram entregues. No entanto, não esclareceu, por exemplo, como fica a situação dos moradores, que foram prejudicados pelas inundações e tiveram tantos prejuízos. Nem ao menos deu prazo para que as intervenções sejam concluídas.

Ainda no dia 5 de dezembro de 2005, grande enchente foi registrada na região, atingindo também outros bairros da Capital. Desde então, os alagamentos são constantes e a população espera, o quanto antes, uma solução.

 Mais dinheiro
Agora, para solucionar (?) a problemática, em definitivo, serão necessários mais R$ 100 milhões, previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). As garantias são do prefeito e do secretário. É a terceira vez que se ouve essa afirmação e nunca nada dá certo: é uma tragédia atrás da outra. Mas sempre fica a pergunta: e se o dinheiro do PAC não vier? Aí, pelo que tudo indica, restará à população apelar para a bondade divina. Hoje, aparentemente, a única alternativa realmente crível.

A depender da administração municipal, os moradores que residem nos bairros Marcos Roberto, Jockey Club e Nha-Nhá, que estão sofrendo constantemente com as inundações, estão, literalmente, fritos, como se diz na voz do povo.

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