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CRISE EUROPEIA

Projeto brasileiro vai combater o desemprego juvenil na Espanha

8 MAI 2011Por EFE13h:03

Após promover a transformação social através da tecnologia em favelas, comunidades indígenas e penitenciárias, o Comitê para Democratização da Informática (CDI), projeto criado em 1995 no Brasil, tem um novo desafio: combater o desemprego juvenil na Espanha.
"O mais importante do trabalho do CDI é formar agentes de mudança", explicou Rodrigo Baggio, fundador e diretor-executivo do projeto que, nestes 16 anos, "teve impacto na vida de mais de 1,5 milhão de pessoas" de baixa renda em 12 países, a maioria latino-americanos, mas também jordanianos e britânicos.
Tudo começou em 1993: "Eu tive um sonho, literalmente. Estava dormindo e vi jovens de baixa renda usando a tecnologia para mudar suas vidas. No dia seguinte despertei emocionado com esse sonho que me apresentou um caminho e tomei a decisão de investir minha vida em transformá-lo em realidade", explicou Baggio em entrevista concedida à Agência Efe em Madri.
Com essa missão, criou sua primeira escola de informática e cidadania na comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro.
"Comecei querendo criar uma escola de informática. Para mim, este era o objetivo máximo. Mas depois, com o sucesso da primeira, em março de 1995, criamos outras cinco", relatou Baggio, que trabalhava como técnico de informática no setor privado.
Quase 16 anos depois, o número de escolas já chegou a 827, abertas não só em favelas, mas também em comunidades indígenas, penitenciárias, hospitais psiquiátricos e instituições voltadas para portadores de deficiência física.
Todas elas têm a mesma metodologia: estimular os alunos a conhecer melhor sua realidade e descobrir nela um desafio, para, depois, através da tecnologia, tentar resolvê-lo.
Ao longo da trajetória do projeto, muitas histórias de mudança foram registradas, entre as quais Baggio elege duas: a de Ronaldo Monteiro, um ex-presidiário convertido em líder social após sua passagem pela escola do CDI aberta na prisão onde cumpria pena por sequestro, e a da tribo indígena Ashaninka, que venceu uma "guerra" contra traficantes de drogas graças à internet.
Ao perceber que muitos ex-detentos tornavam-se reincidentes diante da falta de oportunidades, Monteiro começou a ensiná-los informática, cidadania e empreendedorismo: o resultado são 195 microempresas criadas por ex-presidiários.
"Ronaldo é um exemplo de que é possível mudar vidas através da tecnologia", destacou Baggio.
Já os Ashaninka, que vivem na fronteira do Brasil com Peru, decidiram começar uma guerra contra os traficantes de drogas peruanos que invadiam seus territórios para roubar madeira e que matavam seus homens e estupravam suas mulheres, relatou.
O desequilíbrio de forças não os desanimou: "'Nós temos uma arma superpoderosa: a internet', disse um deles, e decidiram escrever um e-mail ao presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva)", continuou.
A mensagem chegou às Forças Armadas, que enviaram helicópteros que começaram a sobrevoar a aldeia indígena. "Os traficantes, com medo, se retiraram para seu território e os Ashaninka ganharam a guerra", relatou Baggio.
Com essa bagagem, o CDI embarca agora em uma nova missão em seu 13º país de implantação, a Espanha, onde está há seis meses trabalhando em colaboração com instituições de ensino e grandes empresas, como a Telefónica.
O objetivo é combater as altas taxas de desemprego juvenil registradas na Espanha, que superam os 40%, "através da tecnologia, criando agentes de transformação", explicou à Efe a diretora geral do CDI Espanha, Daniela de Souza Méndez.
"Descobrimos que são excelentes engenheiros, médicos, advogados, mas que quando terminam uma graduação, ficam em uma situação que não sabem o que fazer nem para onde ir, porque estão acostumados a procurar emprego", acrescentou.
Frente a esse novo desafio, o que o projeto pretende é utilizar sua fórmula de sucesso: dar aos jovens espanhóis ferramentas para que "transformem sua realidade" e "possam ser geradores do seu próprio emprego".

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