segunda, 23 de julho de 2018

Projeção indica leve queda do PIB em 2009

7 MAR 2010Por 10h:30
     

        Da redação 

        O desempenho do PIB em 2009 deve ter ficado entre uma leve queda e crescimento zero, segundo projeções do mercado. A economia, porém, na visão de muitos analistas, entrou em 2010 num pique bastante acelerado, e está rodando neste primeiro trimestre num ritmo anualizado entre 6% e 8%.
        Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado do último trimestre de 2009 e o primeiro número do crescimento anual do PIB (que passará por várias revisões).
        Embora a atenção provavelmente se voltará para o sinal do PIB em 2009 - negativo ou positivo -, o que o IBGE deve mostrar de mais importante é um ritmo forte de atividade econômica no último trimestre do ano passado. A maioria das instituições está prevendo um crescimento superior a 2% em relação ao trimestre anterior, em base dessazonalizada.
        No primeiro trimestre de 2010, o embalo continua, embora o crescimento ante o trimestre anterior deva recuar, porque se parte de uma base mais forte. De qualquer forma, a visão geral é de uma economia aquecida, que levará o Banco Central (BC) a iniciar ainda no primeiro semestre um ciclo de alta da taxa básica, a Selic.
        A dúvida que resta ao mercado é até que ponto a recuperação fulgurante de boa parte do ano passado sofreu uma arrefecida a partir de novembro. Nesse caso, o BC poderia manter a Selic nos atuais 8,75% na próxima reunião, nos dias 16 e 17 de março, e deixar o primeiro aumento para abril, ou até depois.
        A divulgação do IPCA de fevereiro na sexta-feira, com a inflação de 0,78% ligeiramente abaixo da média das expectativas, reforçou aquela corrente. O mesmo efeito foi produzido pela estabilidade do nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em janeiro, de 81,5%, quando comparado, sem influências sazonais, a dezembro
        Ainda assim, há uma expressiva parcela dos analistas prevendo a primeira alta da Selic em março. Um dos argumentos é que a alta do IPCA no primeiro bimestre foi de 1,54%, ou um terço da meta anual de 4,5%.
        Há muita discussão sobre até que ponto esse salto decorre de fatores sazonais ou episódicos, como os reajustes de mensalidades escolares e passagens de ônibus, ou as chuvas que afetaram os preços dos hortifrutigranjeiros. O problema, porém, é que as expectativas inflacionárias subiram também para 2011, com projeção média do mercado agora de 4,67%, acima da meta inflacionária.
        A produção industrial, por sua vez, subiu 1,1% em janeiro, em relação a dezembro, com ajuste sazonal. Em novembro e dezembro, porém, na mesma base de comparação, houve quedas de respectivamente 0,8% e 0,2%, depois de dez subidas consecutivas a partir de janeiro do ano passado.
        "A indústria recuperou em janeiro o que perdeu em novembro e dezembro, e em fevereiro tudo indica que o ritmo foi muito forte", diz o economista Regis Bonelli, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.
        Bonelli aponta o forte desempenho do setor automobilístico no mês passado, com a venda de 221 mil veículos, 3,6% mais do que em janeiro (apesar do menor número de dias úteis em fevereiro) e 10,8% acima do mesmo mês de 2009. No primeiro bimestre, foram vendidos 434,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, num salto de 9,4% ante igual período de 2009. "A indústria automobilística arrasta os outros setores", diz o pesquisador.
        Para Sérgio Vale, economista da MB Associados, "o quarto trimestre vem com números muito fortes, o que sinaliza um ritmo ainda mais forte neste primeiro trimestre". Ele prevê que os primeiros três meses de 2010 mostrem um ritmo de crescimento de 7%, na comparação com o mesmo período de 2009.
        Segundo Vale, a indústria, que derrubou o PIB no ano passado, vai inverter o papel neste ano e liderar o forte crescimento. Mas ele acrescenta que os serviços também devem acelerar, assim como a agropecuária. Pelo lado da demanda, o investimento, que a MB projeta ter caído 11% em 2009, deve crescer 12,3% este ano, na previsão da instituição. "Por onde você olha, o PIB em 2010 está muito forte", resume o economista
        Fernando Rocha, economista da gestora de recursos JGP Investimentos, vê a economia num ritmo de 7% a 8%, tomando como base os três últimos trimestres de 2009. Ele projeta que a economia tenha crescido 2,3% nos últimos três meses do ano passado, comparados com o trimestre anterior. Além disso, Rocha estima que, no mesmo tipo de comparação, o PIB do segundo e terceiro trimestres de 2009 vá ser revisado pelo IBGE, de respectivamente 1,1% e 1,3% para 1,5% e 1,9%.
        Ele observa que as fortes revisões do PIB na série trimestral, que veem ocorrendo com certa frequência, acabam mudando substancialmente a fotografia da economia brasileira. O IBGE tem uma metodologia pela qual os parâmetros da dessazonalização podem ser alterados de forma significativa de trimestre para trimestre. (Do Estadão)

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