sábado, 21 de julho de 2018

Programa Saúde da Família faz crescer consultas de pré-natal

7 MAR 2010Por 12h:00
     

        Da redação

        A dona de casa Carla Joaquim da Silva, de 20 anos, descobriu em uma das primeiras consultas do pré-natal que a menina que está esperando tem um fechamento incompleto da coluna vertebral, chamado de espinha bífida. O diagnóstico precoce da malformação congênita permitiu que Carla fosse encaminhada para o Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, especializado em gestações de risco.
        Carla já passou mais de dez vezes pelo consultório médico e fez oito ultrassonografias morfológicas para acompanhar o desenvolvimento da coluna de Vitória, que deve nascer até o dia 15. "O médico explicou que, sem o pré-natal, eu corria o risco de perder minha filha no nascimento. Mas, desde o início, a equipe sabe o que ela tem. A Vitória está sendo acompanhada e será operada. Acredito nos médicos, vai dar tudo certo."
        O caso de Carla não é isolado. Levantamento feito pelo Ministério da Saúde às vésperas do Dia Internacional da Mulher mostra que em cinco anos o número de consultas de pré-natal aumentou 86,4% - saltou de 9,8 milhões, em 2003, para 18,2 milhões, em 2008.
        Para o diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do ministério, José Luiz Telles, a principal causa do crescimento é o aumento da cobertura do Programa Saúde da Família (PSF). "A mulher já não precisa procurar um hospital para as consultas de acompanhamento da gravidez. Ela vai até o posto mais perto de sua casa. E, se não for, o agente de saúde vai à casa dela saber o que está acontecendo."
        O número maior de consultas de pré-natal se refletiu na queda da mortalidade materna. O dado mais recente é de 2007: de cada 100 mil mulheres que dão à luz uma criança viva, 50,3 morrem. Em 2003, essa taxa era de 52,1 por 100 mil; em 2004, de 54,4 por 100 mil.
        "O pré-natal identifica situações de risco. Uma das maiores causas de morte materna é a hipertensão seguida de hemorragia, que é facilmente diagnosticada no pré-natal", afirmou Telles. Ele ressalta que o ministério tem investido na notificação de morte de gestantes. "Precisamos investigar para corrigirmos potenciais falhas no acompanhamento da gravidez."
        A maior cobertura do PSF também permitiu ampliar o acesso a métodos contraceptivos - em 2008, 34,5 milhões de mulheres de 10 a 49 anos foram atendidas em consultas de planejamento familiar, ante 30,2 milhões em 2003. O número de atendimentos para fornecimento e implantação de DIU e diafragma cresceu 41,8% em cinco anos.
        "Os dados sobre curetagem em mulheres com complicações após aborto são um indicativo indireto do acesso maior aos métodos contraceptivos." A queda desse procedimento foi de 14,9% em cinco anos.  (Do Estadão)

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