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EMERGÊNCIA

Professor ensina 'orçamento de guerra'

21 ABR 2011Por INFOMONEY09h:27

Com o aumento do poder aquisitivo da população e os baixos níveis de desemprego, a tentação de comprar parece ficar cada vez mais presente na vida dos brasileiros. Entretanto, junto com essa vontade de consumir, aparece um problema que “tira o sono” de grande parte da população: o endividamente.

Para quem já entrou na “bola de neve” de dívidas e altos juros do cheque especial, cartão de crédito e empréstimos e para aqueles que querem evitar este tipo de problema, o professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São paulo), Fábio Gallo, criou o que ele chama de “orçamento de guerra”. “Esse argumento é usado em um plano de emergência. Precisamos estar preparados para uma situação inesperada, como uma doença na família, a perda do emprego, o fracasso em algum negócio próprio etc.”, diz Gallo.

A, D, C e D
Este orçamento é constituído por 4 itens e o professor ressalta que é preciso anotar todos os gastos que você possui.

O item  “A” é de alimentos. Estes são os produtos essenciais que você não pode deixar de comprar e consumir. “É claro que entre os alimentos dá para cortar aqueles mais supérfluos, como um queijo rockfort e um vinho importado, por exemplo”, lembra Gallo.

O item “B” é de básico. Nele, estão inclusos gastos necessários para o dia a dia, como contas de água, luz, telefone e tudo aquilo que é imprescindível para a vida diária. “Não é possível cortar os itens A e B, mas é possível economizar com eles”, diz Gallo.

Já o item “C” é de contornável. São gastos que fazem bem e possuem uma certa importância, mas que podem ser cortados sem que a família seja prejudicada. “Gastos com academia de ginástica, por exemplo. Fazer exercício é bom para a saúde? Sem dúvida, mas é possível cortar a academia e ir caminhar no parque”, exemplifica o professor.

Por fim, o item “D” se refere às despesas desnecessárias. Neste caso, são gastos que realmente não precisam fazer parte do orçamento da família. “Às vezes você olha a sua conta de telefone e vê um item 'transferência de chamadas', que paga todo mês. Esse tipo de coisa, que muitas vezes você nem sabe que está pagando, deve ser cortado do orçamento”, aponta Gallo.

Assim, de acordo com o professor, você pode cortar os itens C e D, e tentar economizar o máximo com os itens A e B, para sair das dívidas ou para enfrentar uma situação emergencial.

Itens que podem mudar de “classificação”
De acordo com o professor, existem itens que, por algumas pessoas, são vistos como básicos, mas que em uma emergência, como em casos de perda de emprego ou diminuição da renda, podem se tornar “contornáveis”. É o caso do carro, por exemplo.

“Se você precisa muito do carro para trabalhar, ou se tem alguém doente na família que necessite dele, tudo bem. Mas se este não for o caso, pode ser um gasto a menos no seu orçamento doméstico”, aponta Gallo.

Mínimo para viver
Com este orçamento, você pode fazer as contas do mínimo que precisa para viver. Assim, mesmo que esteja em uma situação financeira mais confortável no momento, você pode se preparar para momentos adversos e economizar uma quantia que servirá como reserva em caso de problemas futuros.

“Esse exercício pode ser feito até mesmo preventivamente, para avaliar o quanto precisaria ter guardado para um caso de emergência”, aponta o professor.

Outra vantagem de montar um orçamento desta maneira é você se programar e saber por quanto tempo vai conseguir viver com o dinheiro que possui guardado. “É uma maneira até mesmo de selecionar um novo emprego. Se você sabe que pode resistir até 3 meses desempregado, não precisa aceitar um emprego muito abaixo de suas qualificações no primeiro mês”, ressalta.

Ações conjuntas
Para aqueles que já estão endividados, estas atitudes devem ser feitas em conjunto com outra ação. “Você deve ir ao banco ou ao outro credor, verificar o valor total da dívida, levar este valor para alguma pessoa, entidade ou órgão de defesa do consumidor que te auxilie quanto aos valores. Depois, voltar ao credor com uma proposta de quitação da dívida”, afirma Gallo.

De acordo com ele, uma alternativa é trocar a dívida cara do cartão de crédito e do cheque especial por outra mais barata, fazendo um empréstimo pessoal ou consignado. “Assim você paga menos juros e, ao mesmo tempo, ajusta seu orçamento com os itens 'a, b, c e d'”, finaliza o professor.

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