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Produtores cobram mudança em traçado de linhões de energia

6 ABR 10 - 21h:42

Clodoaldo Silva, Brasília

 

Os produtores rurais de Chapadão do Sul vão cobrar em Brasília hoje a mudança do traçado da linha de transmissão de energia elétrica que corta fazendas produtivas do município. São 364 proprietários que terão dificuldades para controlar a ferrugem asiática e outras pragas porque o linhão vai impossibilitar a pulverização por meio de aeronaves e atrapalhar a colheita mecanizada.

"São 27 aviões, que trabalham no município, que ficarão impedidos de pulverizar as plantações por causa das torres com os cabos de aço. Não teremos condições de utilizá-los em nossas lavouras ", destacou o produtor e diretor do Sindicato Rural de Chapadão do Sul, Darci Borgelt, explicando que também haverá problemas no uso de máquinas agrícolas, uma vez que várias colheitadeiras têm dimensões grandes e ficarão impossibilitadas de serem utilizadas em toda a extensão da área plantada.

A opção apresentada pelos produtores é mudar o traçado do linhão, fazendo-o passar em área utilizada pela pecuária, onde afetará menos a produção. "Nós queremos encurtar a linha em 30 quilômetros (ela vem de Ilha Solteira), ela só passaria em área de pecuária, onde não atrapalha a produção, já que os bois podem ficar e passar embaixo da linha de transmissão de energia", enfatizou Borgelt. O líder rural afirmou que a categoria defende que a linha chegue até o distrito de Indaiá do Sul – 30 quilômetros de Chapadão – e seja desviada em direção ao Estado de Goiás. O trajeto atual propõe que o linhão vá até a parte urbana do município e depois siga em direção ao estado goiano, até o município de Jataí.

A linha começa em Ilha Solteira, vai até Chapadão do Sul, onde se encontra com outra – em construção – que começa em Corumbá, passa por Anastácio e segue para o município. No percurso, as linhas atenderão pequenas usinas de energia que vão utilizar a biomassa (da cana-de-açúcar) – e também pequenas usinas hidrelétricas – há projeto de construir cinco no Pantanal, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

Estes argumentos serão apresentados na reunião de hoje, a ser realizada no Senado Federal, com a intenção de convencer o Governo federal a realizar uma audiência pública na qual sejam discutidas as implicações econômicas ou que decida pela alteração do percurso da linha de transmissão. "Queremos fazer uma audiência de instalação da linha sobre a questão econômica, só fizeram debates sobre a questão ambiental", afirmou Borgelt.

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