quinta, 19 de julho de 2018

Procuradora condenada por tortura tem pedidos de liberdade negados

29 JUL 2010Por 21h:30
     Os desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio negaram na última terça-feira, 27, por unanimidade, os dois pedidos de liberdade da procuradora aposentada Vera Lucia de Sant'anna Gomes. Ela foi condenada pelo juiz Mario Henrique Mazza, da 32ª Vara Criminal do Rio, a 8 anos e 2 meses de prisão em regime fechado por torturar uma menina de 2 anos que estava sob sua guarda provisória.

        De acordo com o Tribunal de Justiça, na decisão, a relatora Gizelda Leitão Teixeira disse que não vê qualquer constrangimento ou ilegalidade na prisão da condenada, "uma vez que evidencia-se necessária para a garantia da ordem pública e para assegurar a aplicação da lei penal".

        Em ambas as ações, a procuradora alega que reúne os requisitos para responder o processo em liberdade, porque é primária e possui residência fixa. "O juiz explicitou bem os motivos que o levaram a concluir pela manutenção da custódia", disse a desembargadora. Ainda segundo ela, "a alegação de a paciente ser primária e ter residência fixa são fatores desinfluentes na decisão de manter-se ou não a custódia".

        Para o juiz, uma das evidências mais sólidas da condição a que era submetida a vítima está no Auto de Inspeção Judicial assinado pela juíza em exercício na Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Capital, bem como pela promotora de Justiça e equipe técnica que lá atuam.

        No laudo é retratado o estado deplorável em que se encontrava a vítima no exato momento em que a magistrada chegou na residência da ré, após receber denúncias de que a criança era constantemente espancada por sua guardiã.

        A gravidade da situação foi demonstrada ainda por fotos tiradas na mesma data, onde a criança aparece com múltiplas lesões provocadas por ação contundente, principalmente no rosto e na região dos olhos, parecendo que tinha acabado de sair de uma luta de boxe, ainda segundo a explicação do juiz na sentença.

        Da decisão não cabe recurso, mas o advogado da procuradora pode fazer um novo pedido.

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