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Problemas com sono atingem 45% da população mundial

28 MAR 2011Por Br Press02h:00

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, para o bom funcionamento do corpo humano e manutenção da saúde, em média, sete horas de sono por noite. Porém, nem todos conseguem seguir à risca essa sugestão. Marcando o Dia Mundial do Sono, comemorado na ultima segunda (21/03), a Associação Mundial de Medicina do Sono alerta que 45% da população mundial sofre com problemas deste tipo e 25% das crianças dormem pouco.

Este fato que aumenta as chances de essas pessoas se tornarem obesas, terem problemas emocionais, de humor, agressividade, diminuição de memória, atenção e dificuldade de aprendizagem. A BR Press entrevistou a coordenadora do Departamento de Sono da Academia Brasileira de Neurologia, Dra. Rosa Hasan, para repercutir dados da pesquisa e esclarecer dúvidas.

Confira:

O que fazer nos casos em que o indivíduo está na faixa média de horas de sono por noite, mas ainda sente cansaço durante o dia?

Dra. Rosa Hasan - A necessidade de sono é individual e também varia de acordo com a idade. Um adulto, em média, precisa de sete ou oito horas de sono. Porém, há indivíduos cuja necessidade pode ser maior ou menor. Caso sinta cansaço dormindo oito horas, deve-se tentar dormir um pouco mais e ver se há uma melhora. Caso contrário, a recomendação é procurar auxílio médico. A necessidade de sono de cada um pode ser conhecida. Basta observar o quanto, em média, se dorme nas férias.

Quais são os distúrbios do sono mais comuns?

Dra. Rosa Hasan - Além da privação voluntária de sono (muito comum nos dias de hoje), os distúrbios mais comuns são insônia, ronco, apnéia e queixa de sono não reparador.

De que maneira a falta de sono pode afetar as crianças e provocar problemas como a obesidade? Que tipo de danos pode causar aos adultos?

Dra. Rosa Hasan - Crianças privadas de sono, em geral, são irritadas, apresentam déficit de atenção, podem ser impulsivas e hiperativas, o que pode levar a um mau desempenho escolar. Além disso, a falta de sono pode atrasar o crescimento, pois durante o sono profundo se produz hormônio responsável por esta etapa, e predispor a obesidade. Adultos que dormem pouco também apresentam alterações na concentração e memória, com queda no desempenho cognitivo. Estão também mais propensos a acidentes, obesidade, doenças cardiovasculares e psiquiátricas, como depressão e ansiedade. Quais os tratamentos mais utilizados para os distúrbios do sono? Há chances de cura, ou os tratamentos são focados apenas na melhora da qualidade de vida do paciente?

Dra. Rosa Hasan - A maioria dos transtornos do sono podem se resolver apenas com mudanças no estilo de vida, como adotar horários regulares para dormir e levantar, respeitar a necessidade individual de sono, abster-se de álcool à noite, nicotina e cafeinados, praticar regularmente exercícios, alimentação correta, etc. Logo, com a melhora do transtorno do sono, ocorre melhoria significativa na qualidade de vida. Tratamentos alternativos, como acupuntura, cromoterapia, massagens terapêuticas, ou chás, podem ajudar?

Dra. Rosa Hasan - Esses tratamentos, com certeza, podem ajudar. Porém, para muitos, não há evidência científica. O importante é o indivíduo sentir-se bem e relaxado.

DICAS PARA MELHORAR A QUALIDADE DO SONO

A Associação Brasileira de Neurologia elaborou uma série de dicas a serem seguidas diariamente. São estas:

- É necessário chegar em casa pelo menos três horas antes de dormir e realizar atividades relaxantes, como tomar banho ou ler.

- Além disso, é recomendável ter um horário regular para se deitar e não ir para a cama sem sono.

- Caso não consiga dormir após 30 minutos, a sugestão é levantar e realizar uma atividade simples, como ouvir uma música calma, e não assistir à televisão.

- Exercícios físicos intensos antes de deitar, o que não inclui atividade sexual, e a ingestão de álcool após as 18h também podem prejudicar a qualidade do sono.

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