segunda, 23 de julho de 2018

Pressionada, Dilma divulga carta dizendo ser contra o aborto

16 OUT 2010Por 02h:20

SÃO PAULO

Pressionada pelos segmentos religiosos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, divulgou ontem  uma carta em que afirma ser “pessoalmente contra o aborto”. O documento não cita diretamente a polêmica em torno da união civil entre homossexuais e opta por compromissos genéricos em relação a outros temas-tabus sustentando que, se eleita, não pretende promover “nenhuma iniciativa que afronte à família”.
Na carta, Dilma afirma que, se o projeto que criminaliza a homofobia, o PLC 122, for aprovado no Senado, o “texto será sancionado nos artigos que não violem liberdade de crença, culto e expressão”. O temor dos cristãos é que o projeto impeça sermões e pregações contra homossexuais.
Em relação ao aborto, Dilma afirma que não partirá dela nenhuma iniciativa para legalizar o procedimento e que ela defenderá “a manutenção da legislação atual sobre o assunto”, que só permite a prática em casos de estupro e risco de morte para a mãe.
Antes de ser candidata, Dilma defendia abertamente a descriminalização da prática – o fez, por exemplo, em sabatina na Folha em 2007 e em entrevista em 2009 à revista “Marie Claire”, segundo a Folha Online.
Depois, ao longo da campanha, disse que pessoalmente era contra a proposta. Agora, promete deixar a discussão para o Congresso.
Sobre o PNDH 3 (3º Plano Nacional de Direitos Humanos), que causou polêmica por tratar do aborto, legalização da prostituição e defender que hospitais conveniados ao SUS façam operação de mudança de sexo, entre outros pontos, Dilma diz que o programa é uma “ampla carta de intenções” e que está sendo revisto. Dilma diz ainda que a família será o foco de seu eventual governo e que defende a liberdade religiosa.
A redação da carta foi a saída para evitar desgastes para a petista, que foi cobrada por religiosos para se declarar contra o casamento homossexual, a adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, além da regulamentação da função de profissionais do sexo.
A carta é uma tentativa de minimizar os boatos que circulam contra a candidata nos templos e igrejas e foram apontados como um dos fatores que provocaram o segundo turno. No meio religioso, rumores associaram seu nome à descriminalização do aborto e a uma fala, que ela não disse, de que nem Jesus Cristo tiraria dela a vitória.
“Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós”, afirma a candidata.
O documento foi encaminhado a lideranças evangélicas e está sendo repassado por e-mail a fiéis. A carta será impressa em forma de um panfleto que será distribuído  em cultos e missas.

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