Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

Dois de MS

Presos em operação contra fraudes estão na cadeia

20 MAI 2011Por EPTV16h:17

Os 11 empresários e integrantes da administração municipal de Campinas presos na manhã desta sexta-feira (20) pela Corregedoria da Polícia Civil chegaram pouco antes das 16h (horário de Brasília) no 2º Distrito Policial, onde ficarão na cadeia anexa. Outras oito pessoas que tiveram a prisão decretada são consideradas foragidas, incluindo o secretário de Segurança e o vice-prefeito.

Todos são suspeitos de integrar um esquema de fraudes em contratos públicos, denunciado em setembro do ano passado pelo Ministério Público e que, além de Campinas, envolve Indaiatuba e Jaguariúna. Ao todo, são 11 municípios nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. O valor dos contratos chega a R$ 615 milhões.

Camas de concreto

Os presos vão ocupar duas celas no 2º DP, considerada especial pelo delegado seccional, José Carneiro Rolin Neto, porque ficam separadas dos demais presos. Cada cela, com 12 metros quadrados, está equipada com seis camas de concreto e não conta com chuveiro quente.

Apreensões

Além das prisões, os policiais da Corregedoria e o Ministério Público fizeram buscas e apreensões de documentos e computadores na Prefeitura de Campinas. As prisões temporárias têm validade por cinco dias, podendo ser prorrogadas por igual período. A defesa do ex-diretor de Planejamento e Urbanismo e ex-prefeito de Corumbá (MS), Ricardo Candia, informou que analisa o processo para definir se entra com pedido de habeas corpus.

Estão presos:

Alfredo Antunes - Empresário
Augusto Antunes - Empresário
Aurélio Cance Junior - Diretor Técnico da Sanasa
Gregório Wanderlei Cerveira - Empresário
Luiz Arnaldo Pereira Maier -
Marcelo de Figueiredo
João Carlos Gutierrez - Empresário
Joao Tomaz Pereira Júnior -
Ricardo Chimirri Candia - Ex-Diretor de Controle Urbano
Pedro Luis Ibrahin Hallack
Gabriel Ibrahin Gutierrez
Emerson Geraldo de Oliveira - empresário

Foragidos

Demétrio Vilagra - Vice-Prefeito
Francisco de Lagos - Sec de Comunicação
Ivan Goretti de Deus - empresário do ramo de eventos
Valdir Carlos Boscato
José Carlos Cepera - empresário
Carlos Henrique Pinto - Sec Seguranca
Maurício de Paulo Manduca - empresário
Dalton dos Santos Avancini - empresário

Veja a cronologia do caso:

Dia 17 de setembro de 2010

Após uma investigação baseada na quebra de sigilos bancários e fiscais, o Ministério Público e a Corregedoria da Polícia Civil prenderam oito pessoas. Oito carros, sendo sete de luxo, e duas motos, também de alto padrão, foram apreendidos. Com a denúncia, contratos firmados com equipes citadas pelo MP foram suspensos.

Dia 20 de setembro de 2010

Chega à EPTV a primeira referência feita à Sanasa de possível envolvimento com empresas do grupo de pessoas presas por suspeita de irregularidades em contratos públicos

Dia 15 de abril de 2011

Pela primeira vez vem à tona uma denúncia envolvendo a esposa do prefeito de Campinas, Rosely Nassin Santos. A empresa Solução Transporte Logística, que faz parte das inevstigações dos promotores, pertence a duas pessoas. Um dos proprietários é a Rosely, a primeira dama da cidade. Ela não declarou à Receita Federal e nem no Diário Oficial do Município que tinha a empresa desde 2007. Só fez isso depois que a informação foi divulgada na EPTV.

Dia 19 de abril de 2011

A EPTV recebe a denúncia de que um mesmo grupo de empresas, também alvo das investigações do MP, teria alugado 18 terrenos para operadoras de celular na cidade. A CD empreendimenos, a RP participações e a Dedeno e Dedeno são donas dessa áreas. Todas ligadas diretamente ao ex-diretor de controle urbano de Campinas, Ricardo Candia, duas são da própria filha dele, Rafaela Candia. As antenas não podem ser instaladas sem autorização da prefeitura. Dias depois, quatro secretários municipais reúnem os jornalistas para tentar explicar que não sabiam de nada. E se justificam.

Dia 25 de abril de 2011

Nova denúncia aponta para a equipe de primeiro escalão da prefeitura de Campinas. Um funcionário público mora no endereço registrado na Junta Comercial como da empresa da primeira dama, Rosely Nassim Santos. Edmar Golçalves trabalha na secretaria de infraestrutura e mora na casa no bairro Nova Campinas. O endereço oficial da empresa de Rosely é usado como escritório político do prefeito Hélio de Oliveira Santos.

Dia 29 de abril de 2011

Convocado para depor no Ministério Público, o empresário José Carlos Cepera se escondeu no banheiro para não ser filmado antes do depoimento aos promotores. No mesmo dia, em à tona a denúncia mais grave até o momento, nas investigações dos promotores. o pagamento de proprina, valores que seriam divididos entre integrantes da equipe de primeiro escalão da prefeitura. novamente, aparece o nome da primeira dama.

A Sanasa fechou acordos com as empresas Lotus, Hidrax e Infratec entre 2006 e 2009, mas há a suspeita de que algumas pessoas teriam recebido um valor extra não contabilizado. Os lobistas Emerson de Oliveira e Maurício de Paulo Manduca, além do próprio presidente da Sanasa na época, Luiz Aquino, e a então chefe de gabinete Rosely Nassin Santos. Os valores estão registrados a caneta em um papel sem timbre. Sobre os documentos, o promotor Amaury Silveira Júnior, que acompanha o caso, diz haver nos manuscritos a indicação de valores, que supostamente seriam repassados a essas pessoas.

Dia 09 de maio de 2011

A defesa da primeira-dama e chefe de Gabinete de Campinas, Rosely Nassim Jorge Santos, conseguiu uma liminar na Justiça para que ela não seja submetida à medidas coercitivas, ou seja, ela não pode ser presa ou passar por constrangimentos durante as investigações que apuram supostas irregularidades em contratos públicos na cidade, investigadas pelo Ministério Público desde 2010.

Dia 17 de maio de 2011

Depois de meses de denúncias envolvendo a Prefeitura de Campinas, o prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) falou pela primeira vez sobre o assunto. Hélio de Oliveira Santos se defendeu da acusação de estar tentando impedir que o Ministério Público investigue o caso.

Dia 20 de maio de 2011

Operação da Corregedoria da Polícia Civil e Ministério Público faz prisões em Campinas de suspeitos de envolvimento em casos de corrupção

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