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Presidente da BMW vê 'grandes chances' de fábrica no Brasil

27 ABR 2011Por ig05h:00

Apesar do câmbio desfavorável e do elevado custo de mão de obra, existem “grandes chances” de que o Brasil seja escolhido para receber a instalação de uma linha de montagem da BMW nos próximos anos, segundo o carioca Jörg Henning Dornbusch, presidente do grupo no País. O anúncio de que a empresa fincaria sua bandeira na América Latina foi feito em março – e em outubro será tomada a decisão sobre qual país deve receber o investimento. No início, a fabricação aconteceria em regime de SKD, ou seja, o Brasil basicamente montaria peças feitas no exterior.

“Tem grandes chances [de ser no Brasil], pelo fato de o mercado ser grande a ainda haver muito a ser explorado”, diz Henning. “A questão é se o volume viabiliza isso, é o que estamos avaliando agora”. A marca alemã tem a filosofia de seguir mercados que exibem forte crescimento, como o brasileiro, onde o grupo BMW – dono das marcas Rolls-Royce, MINI e Husqvarna – expandiu as vendas em 52% entre 2009 e 2010. A linha de montagem, segundo Henning, poderia exportar veículos para países vizinhos.

De acordo com o executivo, a valorização do real – que aumentaria o preço de exportação de carros montados aqui – não deve determinar a escolha de uma estratégia de longo prazo. “A decisão não pode ser tomada com base no momento econômico, tem que ser pensada para os próximos 20 ou 30 anos”, afirma.

Da mesma forma, Henning acredita que o alto custo de mão de obra não impediria o país de receber a montadora. “Temos fábricas na Índia e na China, assim como temos nos EUA e na Alemanha. Cada país tem sua relevância estratégica – em alguns a produção é mais custosas em termos de mão de obra, em outro em termos de logística, tecnologia, cambio”, diz. “Quando se fala em estratégia, é preciso diversificar o risco”.

Nem aí para os chineses
Na entrevista ao iG, o presidente da BMW comentou o recente aumento da presença das montadoras chinesas no Brasil. Para ele, trata-se de uma “tendência natural”, já que as empresas asiáticas acumularam divisas nos últimos anos e agora devem procurar novos mercados para investir. “Isso vai acontecer, eles têm caixa para bancar investimentos e vão expandir, principalmente na Europa”, diz.

Mas Henning afirma que a expansão chinesa não incomoda a empresa. “Ela [a BMW] não está preocupada com o que os chineses fazem, com o que os coreanos fazem... Eles estão dentro do contexto automotivo. A BMW foca na liderança em mobilidade individual no segmento premium. Ela se preocupa com isso, em ser vista como inovador e líder em soluções de tecnologia sustentável”, diz.

Em abril, a BMW inicia as vendas do híbrido ActiveHybrid 7 no Brasil. O sedan de luxo usa tanto motor a gasolina quanto elétrico, sendo o último mais empregado no momento da aceleração – e recarregado na frenagem, além de poder ser plugado na rede elétrica. Por se tratar de um modelo sofisticado (parte da série 7 da BMW), a marca não espera um grande volume de venda. “É um carro de R$ 550 mil, você não vai vender 500 ou 600 carros desses... Mas é interessante pra testar a aceitação do público”, explica Henning.

O “novo Free Jazz”
Mas o projeto que ocupa o posto de “xodó” da montadora, no momento, tem mais a ver com música do que com motores e tecnologia. Dois dos principais nomes por trás do icônico Free Jazz Festival (1985-2001), Monique Gardenberg e o Zuza Homem de Mello, agora trabalham na montagem do BMW Jazz Festival. O evento acontece nos dias 10, 11 e 12 de junho, em São Paulo. Lendas como Wayne Shorter (77 anos, que tocou na banda de Miles Davis), Billy Harper, Joshua Redman e a diva da black music Sharon Jones estarão reunidas no Ibirapuera.

“O projeto nasceu aqui e tornou-se o maior evento de jazz da BMW no mundo”, afirma Henning, cuja paixão pessoal pelo gênero musical é a principal resposta à pergunta “por que agora uma marca resolveu ocupar o lugar deixado pelo Free Jazz”. Mas o executivo ressalta uma diferença em relação ao festival que marcou os anos 90. “O Free Jazz foi para um lado pop, world music... A gente quer manter a raiz do jazz”. O evento será dividido em noites “do sax”, “raízes” e “novos talentos”. Haverá somente 900 ingressos por noite, cada uma com três shows. “Nosso desafio agora é a divulgação da venda de ingressos, porque vai ser uma loucura”, diz.

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