Segunda, 18 de Dezembro de 2017

Educação Física

Preocupação com a saúde abre oportunidades

16 FEV 2014Por Osvaldo Júnior14h:50

Na ginástica do mundo do trabalho, o profissional de Educação Física precisa malhar muito para ter retorno financeiro acima da média, considerada baixa. Mas é possível crescer. Para isso é importante se movimentar sobre a esteira das demandas resultantes de novos hábitos, que incluem a preocupação maior com a saúde corporal – número crescente de pessoas buscam, por exemplo, o serviço do personal trainer e reservam, em suas rotinas, espaço para a academia. Entre os reflexos dessa mudança de comportamento, está o aumento significativo do número de academias em Mato Grosso do Sul – em três anos, esse crescimento foi de 67,8%.

Para Ubiratam Brito de Mello, presidente do Conselho Regional de Educação Física da 11ª Região (Cref 11/MS-MT), o campo de atuação na área vem crescendo gradativamente a partir da Resolução nº 218/1997 do Ministério da Saúde que cita o educador físico na lista de profissionais de saúde de nível superior. “Hoje, muitos estão em postos de saúde, em clínicas de reabilitação, fazendo acompanhamento dos pacientes”, afirma. E para não restar dúvidas, reforça: “Somos profissionais da saúde”.

Em uma ponta, a da oferta, a educação física passa a ser considerada uma profissão da área da saúde; na outra, a da demanda, as pessoas mudam, pouco a pouco, o comportamento, preocupando-se mais com hábitos saudáveis. “A população percebe que sai mais barato prevenir doenças que gastar para se recuperar. As pessoas estão mais precavidas”, observa Mello. Esse encontro de interesses fez aumentar a procura pelos serviços do educador físico.

Entretanto, a qualificação não acompanhou essas transformações, segundo nota o presidente do Conselho. “A exigência é grande no mercado de trabalho. E muitos profissionais estão despreparados. Saem das faculdades e não continuam se capacitando. E hoje nós temos qualificações específicas, cursos de pós-graduação, cursos técnicos. É só a pessoa se interessar e procurar”, afirma Mello. Ele reconhece que o rendimento médio ainda não é o ideal, mas pondera que o profissional melhor preparado tem mais chance de retorno financeiro acima da média.

A empresária Marina Santos, proprietária de uma academia que está há 12 anos no mercado, concorda com Mello. Ela afirma que é difícil encontrar profissionais capacitados para atender às demandas de clientes mais exigentes. “Os quatro anos de faculdade não bastam. É preciso continuar se capacitando”, avisa.

Próprio negócio
Entre os que não perdem tempo e se atentam às transformações na área, está o educador físico e empresário Jonimar Guimarães. Formado em Educação Física em 2004, ele tem, atualmente, dois estúdios (com acompanhamento personalizado) e uma academia. “Assim que me formei, já consegui emprego”, conta, referindo-se a uma situação comum na área, uma vez que a procura por profissionais é elevada. Jocimar investiu no próprio negócio, após ficar conhecido  - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Mas Guimarães não se contentou com o seu primeiro emprego. “Trabalhei dois anos como professor e passei por quatro academias. Fui procurando algo cada vez melhor”. Decidiu, então, investir no próprio negócio. E as atividades nos primeiros anos de sua vida profissional foram fundamentais para o sucesso de seu empreendimento. “Trabalhar em vários lugares é importante para você ficar conhecido no mercado. Depois que montei meu primeiro estúdio, passei a atender muitos clientes das academias onde tinha trabalhado”, conta. 

A partir de sua própria trajetória e pelo que observa na área, ele avalia que os profissionais, de modo geral, precisam ter mais interesse. “É uma crítica que faço à minha própria profissão. Muitas pessoas dessa área não mostram tanto interesse. Se é, por exemplo, para trabalhar 6 horas da manhã, a maioria acha difícil”, avalia.

Hoje, Guimarães se considera um profissional realizado e deixa um recado aos colegas: “É possível crescer nessa área sim. Tem muito campo de trabalho”. Mas é preciso suar a camisa – nos sentidos literal e conotativo. “É dedicação total. Isso aqui (academia, educação física) é minha vida. É o tempo todo, exclusivamente mesmo”, afirma. 

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