sexta, 20 de julho de 2018

apreensões

Prejuízos ao tráfico chegam a R$ 100 milhões

1 DEZ 2010Por AGÊNCIA ESTADO, RIO01h:35

A Secretaria de Segurança Pública do Rio apresentou ontem o resultado das apreensões nos dois últimos dias de ocupação do Complexo do Alemão. No pátio da Academia de Polícia Civil, 135 armas longas, entre fuzis, metralhadoras de calibre .50, calibre .30, carabinas e submetralhadoras, além de 33 toneladas de maconha, 235 quilos de cocaína, 27 quilos de crack, 1.406 frascos de lança-perfume, dezenas de bombas caseiras e munições variadas. As armas apreendidas pela PM foram marcadas com tinta branca para evitar desvios de armamento. O material ficará à disposição da Justiça no cofre da Polícia Civil.

“Pelo que acompanhamos com o Setor de Inteligência, o Comando Vermelho (CV), tanto na capital como no interior, está muito vulnerável”, afirmou o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. O tom entre os integrantes da cúpula da Segurança Pública do Rio era de euforia. O comandante da Polícia Militar (PM), Mário Sérgio Duarte, estimou em R$ 100 milhões o prejuízo da facção criminosa Comando Vermelho com as apreensões.

A avaliação é de que o CV perdeu não apenas homens, armas e drogas, mas o grande quartel-general da facção criminosa. O CV fez do conjunto de favelas um verdadeiro “mercadão do crime” onde havia venda de fuzis, drogas, desmanches de veículos e até empréstimos de soldados do tráfico para outros morros cariocas.

“É uma apreensão histórica, porque tomamos o QG, que abastecia de armas e drogas as favelas da cidade. Nunca mais teremos uma apreensão deste porte no Rio. O tráfico no Alemão rendia lucros absurdos a esta facção e poderia sustentar a quadrilha sozinho”, disse o chefe de Polícia Civil, Alan Turnowski.

De acordo com Beltrame, o CV utilizava o território do Complexo do Alemão como um grande refúgio para os assaltantes que atuavam no Rio. O número de veículos roubados apreendidos no conjunto de favelas chega a 350, sendo que 320 são motocicletas. Todos já estão à disposição dos donos no pátio da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA).

“O Rio ainda não acordou para o que significa o Complexo do Alemão para o Comando Vermelho. Nosso objetivo é o território Se prender, melhor. Se apreender armas, melhor. Agora, o objetivo era tirar 400 mil pessoas da escravidão do tráfico” afirmou o secretário. Ele confirmou que as ordens para os ataques do Rio saíam do Complexo do Alemão e isto forçou a polícia a invadir o conjunto de favelas, que seria ocupado apenas “em 14 e 16 meses”.

Beltrame evitou falar sobre o destino dos chefes do tráfico, que fugiram do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. “Tem muita conversa, muitos boatos e denúncias. Não se pode fazer suposições. Esse tipo de especulação não ajuda ninguém. No momento em que tiver isto, nós informaremos ou vamos lá buscar”, disse o secretário. O chefe de Polícia Civil ressaltou que o foco agora está no “segundo e no terceiro escalão” do Comando Vermelho.

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