domingo, 15 de julho de 2018

ALCINÓPOLIS

Prefeitura pagou passagem a pistoleiro que matou vereador

14 DEZ 2010Por Vânya Santos00h:02

O advogado criminalista Ricardo Trad deve entregar ao Ministério Público Estadual (MPE), na tarde de hoje, cópia de uma requisição da Prefeitura de Alcinópolis fornecendo uma passagem de ônibus, de ida para Coxim, a Irineu Maciel, 37 anos, suposto assassino do presidente da Câmara do município, vereador Carlos Carneiro (PDT), morto com três tiros na manhã de 26 de outubro deste ano. O documento será entregue durante audiência para depoimento de 10 testemunhas de acusação, que acontece a partir das 14h, no Fórum de Campo Grande.

Por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, a prefeitura concedeu uma passagem para que Irineu seguisse de Alcinópolis para Coxim num ônibus da empresa Viação Água Branca, no último dia 1º de outubro. No documento, assinado pela assistente social do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Lidiane Minuci da Silva, consta que a passagem custou R$ 30.

"A prefeitura forneceu uma passagem e eu acho que isso constitui num indício sério de envolvimento, senão do prefeito, de pessoas ligadas a prefeitura porque foi a administração dele que autorizou a entrega desse bilhete ao pistoleiro. A polícia deve ir a fundo porque a coisa é muito séria", avaliou Ricardo Trad. Durante as investigações, policiais descobriram que Irineu já teria sido contratado para tentar executar o vereador anteriormente na cidade.

Assassinato
O vereador Carlos foi assassinado em 26 de outubro, na Rua Guia Lopes, centro de Campo Grande, próximo ao Hotel Vale Verde. Irineu Maciel e Aparecido Souza Fernandes, 34 anos, foram indiciados como autores, já que foram presos em flagrante pouco depois de matarem o vereador. Já Valdemir Valsan é apontado como intermediador do crime. Os acusados revelaram que a morte foi encomendada e que receberiam R$ 20 mil pela execução.

O pai do vereador assassinado e vice-prefeito de Alcinópolis, Alcino Fernandes Carneiro (PDT), acusou o prefeito Manoel de ser o mandante do crime. Já o acusado negou e explicou que ele e a vítima não eram inimigos. Por orientação do delegado da cidade, Camilo Kettenhuber Cavalheiro, o prefeito deixou o município por alguns dias e retornou em 30 de outubro. O vereador investigava supostas irregulares na administração municipal. Apesar de o processo sobre o caso tramitar na 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, a Polícia Civil ainda continua com as investigações para identificar o mandante do assassinato.

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