Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

CAPITAL

Prefeitura investe em melhoria da merenda

22 MAI 2011Por DA REDAÇÃO09h:30

Além de fornecer os gêneros alimentícios para atender a merenda nas escolas públicas, o bom gestor tem a responsabilidade de assegurar que os recursos empreendidos na área estejam sendo usados de maneira inteligente, a fim de atingir o objetivo de satisfazer, no mínimo, 30% do valor nutricional o qual uma criança necessita diariamente. Neste sentido, Campo Grande atende mais de 100 mil alunos que recebem, diariamente, uma alimentação de qualidade, feita por profissionais que atuam na Rede Municipal de Ensino (Reme).

A compra dos produtos utilizados no preparo da merenda fica por conta da Superintendência de Abastecimento Alimentar (Suali) da Prefeitura de Campo Grande. O superintendente de Abastecimento Alimentar, Danilo Medeiros Figliolino, explicou que o órgão realiza a compra e o fornecimento, mas o preparo fica a cargo das escolas. “A Suali encaminha também uma sugestão de cardápio e faz fiscalizações sazonais para verificar se as refeições estão balanceadas, segundo a orientação das nutricionistas”, ressaltou.

Na Capital, a alimentação escolar não é fornecida apenas nas escolas municipais, mas também em Centros de Educação Infantil, Unidades Descentralizadas de Assistência Social, Centros de Referência e Assistência Social, além de 75 entidades filantrópicas.

Para a nutricionista Márcia Arakaki, responsável pela equipe de supervisão da merenda, os gêneros fornecidos atendem de maneira eficiente às crianças, que muitas vezes, dependem quase que exclusivamente desse alimento. “É fato que alguns alunos, principalmente os que residem nas periferias, muitas vezes contam com aquela refeição, já que não têm oferta suficiente de alimentos em casa. Neste sentido, a Prefeitura cumpre rigorosamente o compromisso de fornecer refeições, de maneira adequada, combinando os alimentos, a fim de suprir parte da necessidade nutricional do aluno”.

Os recursos direcionados para a merenda são provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), com contrapartida da Prefeitura Municipal. Dos recursos federais, são dispensados cerca de R$ 0,30 por criança. A Prefeitura acrescenta cerca de R$ 0,25 a cada uma, perfazendo um total de cerca de R$ 0,55 por refeição.

Danilo Figliolino lembrou que, nas escolas de tempo integral, a prefeitura serve, diariamente, cerca de 4,1 mil refeições: desjejum no início da manhã, colação, almoço e lanche da tarde. As escolas municipais Professora Iracema Maria Vicente, no Rita Vieira, e Professora Ana Lúcia Oliveira Batista, no Paulo Coelho Machado, atendem um total de 1.040 alunos com idade entre quatro e 11 anos.

Exigência

A aquisição de parte dos alimentos oferecidos nas escolas atende aos novos padrões de qualidade nutricional determinados pelo Governo Federal. A Lei nº 11.947 de oito de junho de 2009 determina que 30% da merenda escolar seja comprada de agricultores familiares, dando preferência aos produtos de origem orgânica. Por isto, a inclusão de carne de avestruz e bovina orgânica no cardápio das escolas de Campo Grande. Entre os benefícios destes alimentos estão o alto valor nutricional, baixas taxas de gordura e produção sem aditivos químicos.

A equipe da Prefeitura formada por nutricionista e demais profissionais realiza, diariamente, supervisão nas unidades atendidas pela merenda escolar. São verificadas as condições do local, como estrutura e limpeza, armazenamento dos alimentos, data de validade dos mesmos, além da higiene e conduta das responsáveis pelo preparo do alimento. Além de uniformizadas, é exigido que estejam com as unhas aparadas e o uso da touca é obrigatório. “Existe um relatório minucioso que relata o que a equipe de supervisão da Suali encontra durante a visita. Pelo menos uma vez por mês, todas as escolas recebem a inspeção para evitar o mau uso dos alimentos”, argumentou Márcia.

Desperdício

A reposição dos gêneros alimentícios é feita mensalmente. Segundo a Suali, os produtos são repostos de maneira sistemática, sem o risco de esgotar o estoque e o aluno ficar sem a merenda. “Quando a escola recebe a nova remessa de alimentos, ela ainda tem produtos suficientes para atender pelo menos uma semana de merenda”, explicou a nutricionista da Suali.

A equipe responsável pelo controle da merenda escolar utiliza um método apelidado de PEPS – Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai. A equipe de supervisão da Suali esclarece que as escolas classificam os alimentos por data de validade, deixando sempre à disposição nas prateleiras os alimentos que chegaram na primeira remessa. “Ou seja, quando é reposto o estoque, os alimentos novos vão para o final da fila. Assim, evitamos o desperdício dos produtos”, explicou Márcia Arakaki.

A nutricionista ressaltou, ainda, que as escolas chegam a devolver produtos. “Existe essa consciência por parte da direção da escola. Quando há sobra de qualquer produto, como óleo, açúcar e outros, eles retornam para a Suali. Tudo isso é registrado no relatório que faz o controle do que entra e sai. O objetivo é fazer um controle, a fim de que não haja desperdício”.

Ainda, segundo Márcia, a Supervisão de Alimentos tem o controle da quantidade necessária para cada unidade. “A supervisão rotineira promove essa identificação. Sabemos exatamente o que cada unidade precisa. Existem aquelas em que os alunos dispensam o alimento para comprar na cantina. Ou aquelas onde quase 100% consomem o lanche oferecido na escola. Enfim, tudo é fiscalizado e documentado por meio de relatórios, para que os recursos sejam aplicados de maneira eficiente e inteligente”.

Qualificação

Atualmente, cerca de 300 merendeiras atendem a Rede Municipal de Ensino. A Semed promove anualmente a qualificação destas profissionais, a fim de melhorar o atendimento. Além de orientação sobre direitos e deveres da classe, elas recebem cursos de preparo das refeições de acordo com os gêneros ofertados às escolas.

“Elas são orientadas sobre a melhor maneira de preparar determinados alimentos. Além disto, existe um contato direto entre a direção da escola e as merendeiras, que identificam a aceitação do cardápio pelos alunos. Quando um novo gênero é introduzido no cardápio, as merendeiras recebem cursos para aperfeiçoarem os dotes culinários e usarem a criatividade no preparo, a fim de atrair os alunos e agradar o paladar”, explicou Danilo Figliolino.

O responsável pela Suali citou, como exemplo, o Concurso de Receitas. Em 2009, foram premiadas as melhores receitas preparadas com polpa de peixe. “Quando introduzimos a polpa do peixe no cardápio da merenda escolar, tivemos a preocupação de motivar as profissionais a desenvolverem pratos saborosos para facilitar a aceitação pelos alunos. Para incentivá-las, foi realizado o concurso que premiou as três melhores receitas com fogões e microondas”, explicou. O concurso teve a participação de mais de 60 merendeiras.

Fiscalização

Para que não haja desvio de recursos ou má gestão da merenda escolar, a população de Campo Grande conta com a atuação do O Conselho Municipal da Alimentação Escolar, organismo formado por voluntários, que auxiliam a Prefeitura na fiscalização da merenda nas escolas, além de acompanhar todas as licitações para a compra dos gêneros. O CAE é responsável por avaliar a aprovar a política da merenda em Campo Grande. Para a presidente Tânia Maria Ferraciolli, o conselho serve como voz da sociedade, que é a quem representa.

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