segunda, 23 de julho de 2018

CAPITAL

Prefeitura ameaça fechar 15 escolas no período da noite

27 OUT 2010Por DANIELLA ARRUDA04h:01

 Depois de anunciar por meio de comunicado interno o fechamento de 15 escolas municipais no horário noturno na semana passada, gerando protestos de alunos da Escola Municipal Professor Plínio Mendes dos Santos, no Bairro Guanandy — que terá as salas de educação de jovens e adultos e o ensino médio extintos a partir do ano que vem —, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) mudou o discurso ontem, informando que a mudança é somente um estudo para 2011 e sua viabilidade está sendo discutida com professores e diretores dos estabelecimentos.

Com a suspensão das aulas no período noturno, os estudantes da Escola Municipal Plínio Mendes dos Santos, entre eles cadeirantes, portadores de necessidades especiais e mães de alunos dos outros turnos, terão que ser transferidos para escolas distantes, medida que traz transtornos já que a maioria deles passará a depender do transporte coletivo para ter acesso ao ensino noturno. Alguns temem ser obrigados a abandonar novamente os estudos, como Inês Cardoso, de 38 anos, que após ficar 25 anos afastada das salas de aula retomou os estudos em 2008. "Agora que consegui (voltar a estudar), acontece isso. No ano que vem, quando poderei começar no ensino médio, vou para onde? Para outro local onde terei que pegar ônibus, sendo que hoje a escola fica a quatro quadras da minha casa? A gente fica desmotivada", questiona Inês Cardoso.

O auxiliar de laboratório Ângelo Aparecido de Castro Martins, 45 anos, um dos alunos do período noturno da escola Plínio Mendes dos Santos, preocupa-se com a mudança, que deve trazer transtornos ainda maiores para colegas seus que trabalham em bairros mais distantes do local. "Eu, que trabalho no Parque dos Poderes, saio cinco e meia (17h30min) do serviço e muitas vezes chego depois do fechamento dos portões, tendo que esperar pelo segundo horário. Imagine as pessoas que trabalham ainda mais longe. Só na minha sala, tem gente que já sai da escola às 22h10min e vai direto para o trabalho", contou.

 Manifestação
Com 1.200 alunos nos três turnos, a unidade atende no período noturno 150 pessoas, que frequentam as aulas da EJA, além de funcionar como um anexo da Escola Municipal Consuelo Muller nesse horário para alunos do ensino médio. Ainda de acordo com os estudantes, esta é a segunda escola a ter o ensino médio noturno extinto no bairro, onde moram cerca de 21 mil habitantes – há três anos, o mesmo já havia acontecido com a Escola Municipal Professora Marina Couto Fortes.

A perspectiva de ficar sem a educação de jovens e adultos e o ensino médio a partir do ano que vem levou a comunidade escolar a organizar abaixo-assinado, que até ontem continha 2.000 assinaturas, e realizar protesto em frente à escola antes do início das aulas anteontem à noite. Hoje, uma comissão representando os manifestantes pretende comparecer à Câmara Municipal, para pedir apoio de vereadores à manutenção do horário noturno de aulas na unidade.

A secretária municipal de Educação, Maria Cecilia Amendola da Mota afirmou que a escola "não vai fechar". Conforme explicou, está sendo programada uma reestruturação da rede de ensino, buscando unir alunos de igual faixa etária na mesma sala de aula. "Estamos em negociação com a professora Nilene (da Secretaria de Estado de Educação), mas não há nada definido. Amanhã (hoje) devemos ter alguma novidade", afirmou a secretária. (Colaborou Silvia Tada)

 

 

 

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