Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

CORUMBÁ

Prédio da Alfândega servirá à educação

20 DEZ 2010Por Sílvio Andrade00h:13

A antiga Alfândega de Corumbá, construída nos anos 60 ao lado do cais do porto geral, que se transformou em centro de convenções, vai se tornar espaço para extensão de ensino e pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A autorização para o início da restauração do prédio, depredado, foi dada pela reitora Célia Maria de Oliveira, em ato realizado sábado na cidade.

Situada na Rua Domingos Saib, próximo a Mesa de Rendas, edificada no final do século 19 – período efervescente do comércio fluvial pela Hidrovia do Paraguai –, a Alfândega foi desativada com o declínio da navegação. Em 1974, abrigou famílias de ribeirinhos desabrigadas pela grande cheia no Pantanal, as quais ocupam até hoje as suas instalações insalubres.

A recuperação do prédio foi incluída no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das Cidades Históricas, que contemplou Corumbá com R$ 50 milhões. Para 2011 está garantida a aplicação de R$ 8,8 milhões, sendo R$ 5,4 milhões no aterramento subterrâneo dos cabos elétricos e telefônicos do Casario do Porto, área tombada pelo patrimônio histórico nacional em 1992, e na antiga Alfândega.

Com área total de 7,4 mil metros quadrados, o prédio doado pela Secretaria do Patrimônio da União à UFMS será recuperado no prazo de 300 dias, com investimento de R$ 3,4 milhões. As obras terão início esta semana, prazo dado pela prefeitura para reassentar as 15 famílias que ali moram em um dos conjuntos habitacionais construídos pelo PAC na parte alta da cidade.

O novo espaço
A reitora anunciou a liberação de mais R$ 1,3 milhão para a aquisição de equipamentos para o funcionamento do programa de extensão dos cursos de Educação Física e Música, de apoio à pós-graduação de estudos fronteiriço e educação, sala de projeção de filme, biblioteca setorial, cinema, apoio a projetos culturais, alojamento para estudantes de pós, que funcionarão no local.

“É um espaço privilegiado em um lugar privilegiado, ampliando a capacidade da universidade de produzir novos conhecimento”, disse Célia Oliveira.
A ordem de serviço – incluindo o aterramento da fiação que hoje esconde as fachadas dos prédios centenários, autorizada pela superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Margareth Escobar – ocorreu em um ato político promovido pelo senador Delcídio do Amaral (PT/MS), que viabilizou a inclusão de Corumbá no PAC das Cidades Históricas.

Resgate histórico
A superintendente do Iphan declarou que Corumbá foi uma das cidades históricas brasileiras que recebeu maior volume de recursos para recuperação de seu patrimônio histórico, por meio do Programa Monumenta, a partir dos anos 90. Mais de R$ 18 milhões foram investidos na reurbanização do porto geral e restauração de prédios antigos na área tomada e no entorno.

Margareth Escobar lembrou que a superintendência do instituto, em Campo Grande, contava com uma pequena estrutura em 2000 e um orçamento de apenas R$ 55 mil, praticamente concentrando seu trabalho em Corumbá. Este ano, atua em todo o Estado com 20 funcionários e uma verba de R$ 10 milhões. “Além do resgate histórico, os investimentos fortaleceram outros setores, como o turismo”, disse.

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