Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

Preços das commodities sobem e analistas falam em uma nova "bolha"

10 MAI 2009Por 19h:00
     

        Dad redação

         Os sinais de recuperação da economia mundial ainda são incipientes, mas o sentimento de que o pior da crise ficou para trás foi mais do que suficiente para impulsionar o preço das commodities. Com o apetite por riscos renovado e o aumento da liquidez no mercado, os fundos de investimento voltaram a carregar suas carteiras com contratos futuros de metais, energia e produtos agrícolas, inflando as cotações dessas matérias-primas.
        Nos últimos 30 dias, o índice de commodities CRB (Commodity Research Bureau) acumulou alta de 7,5%, mas vários componentes da cesta registraram ganhos de dois dígitos. O petróleo, principal deles, subiu 10,7%. A soja avançou 11,5% e o açúcar, 20%. Os preços já são os mais altos desde novembro, setembro e agosto, respectivamente.
        Na verdade, a recuperação começou antes, entre o fim de fevereiro e o início de março. Desde então, o índice CRB subiu mais 20%; petróleo e soja, mais de 30%; e o cobre, impressionantes 41%.
        A escalada iniciada em março, após oito meses seguidos de queda, está diretamente associada à entrada de capital especulativo nas bolsas. Os fundos de investimento, especialmente de hedge, ampliaram suas compras de contratos de petróleo, soja, café, algodão, cobre e açúcar na expectativa de vendê-los por preços mais altos no futuro.
        De acordo com dados da Comissão de Comércio de Commodities e Futuros (CFTC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, o saldo de compra dos fundos no mercado futuro de soja da Bolsa de Chicago (CBOT) cresceu de 7,6 mil contratos, em 3 de março, para 93,7 mil no último dia 28 - um salto de 1.132%. Ou seja, em menos de dois meses, os fundos compraram o equivalente a mais de 11,69 milhões de toneladas do grão, mais do que toda a safra do Paraná, segundo maior produtor brasileiro de soja.
        O número é ainda o maior desde julho do ano passado, antes do estouro da crise financeira. Com isso, o saldo de compra dos investidores, que em março correspondia a 9% do número de contratos abertos, subiu para 25% no fim de abril. No algodão, o aumento foi de 0% para 8%; no café, de -6% para 8%; no petróleo, de -11% para 0%; e no cobre, de -31% para -17%.
        Segundo levantamento do banco de investimento Barclays Capital, o saldo de compra dos fundos nos principais mercados futuros de commodities passou de 273,2 mil contratos, em 3 de março, para 458,4 mil, em 28 de abril, uma expansão de 67,7%.
        Um economista de um banco brasileiro explica que uma combinação de fatores explica a súbita elevação das commodities. "Esses mercados refletem a percepção de que o risco diminuiu e o pior da crise foi superado após a divulgação de alguns dados positivos nos Estados Unidos. Supostamente, todos os ativos, incluindo as commodities, deveriam ter uma melhora neste cenário", afirmou.
        É exatamente o que mostram os principais indicadores financeiros O índice Dow Jones da bolsa de valores de Nova York acumula alta de 24% desde março, embora ainda esteja negativo em 4,2% em 2009. No último mês, o Dow Jones avançou 7,9%, variação quase idêntica à do CRB. "A correlação entre ações e commodities se moveu para máximas históricas", informou na quarta-feira o banco Morgan Stanley.
        Mas os especuladores também estariam de olho em outros três fatores para justificar seu interesse pelas commodities. O primeiro deles é o medo da inflação por causa das sucessivas injeções de liquidez por parte das autoridades financeiras.
        Em março, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) colocou mais de US$ 1,2 trilhão no mercado por meio da compra de títulos da própria dívida americana, os chamados Treasuries, e de ativos "tóxicos", papeis lastreados em hipotecas e dívidas de agência.  (informações da Agência Estado)

         

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