quarta, 18 de julho de 2018

LATICÍNIOS

Preço do leite em MS é o menor do País, mostra Centro de Pesquisas Econômicas

5 NOV 2010Por Carlos Henrique Braga00h:00

O preço do litro do leite pago ao produtor de Mato Grosso do Sul (R$ 0,61) acumula aumento de 29,7% desde outubro do ano passado, quando era vendido a R$ 0,47, mas segue o menor do Brasil, segundo o Centro de Pesquisas Econômicas aplicadas (Cepea) da Universidade de São Paulo. As longas distâncias, que encarecem o frete para os laticínios, e a qualidade inferior ao dos grandes produtores, como Minas Gerais, são apontados como causa da remuneração minguada. Para evitar desentendimentos, o setor terá, pela primeria vez, preços de referência.

O Conseleite, conselho composto por produtores e empresas, ouvirá cinco produtores e cinco indústrias para estabelecer valores dentro, acima e abaixo da média de qualidade aceitável. O comitê será gerenciado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), estado com modelo semelhante e tradição no setor. O resultado do levantamento vai balizar as negociações entre as 70 empresas e os 23 mil pecuaristas.

Sem preço de referência, MS produziu 15,8 milhões de litros de leite em junho, mesmo mês que os mineiros encheram os baldes com 434,2 milhões de litros, de acordo com o IBGE. Em Minas, o litro é vendido a R$ 0,71 (16% mais caro).

A produção voltou a crescer depois da entressafra dos últimos meses, que derrubou a oferta aos laticínios. Sem leite suficiente para manter as máquinas a todo vapor, a indústria amargou 50% de ociosidade, índice hoje em 30%. A indústria trabalha menos porque as vacas têm menor lactação na seca, quando os pastos perdem nutrientes e o fazendeiro é obrigado a turbinar a alimentação com silagem. “Agora que temos mais leite, a produção vai se normalizar aos poucos”, espera a presidente do Sindicato dos Laticínios de MS (Silems), Milene de Oliveira Nantes.

Ela defende mais profissionalização ao setor, para que sejam melhores remunerados. A qualidade do leite sul-mato-grossense melhorou nos últimos anos, mas ainda é inferior ao produto de grandes bacias leiteiras, como Minas Gerais, o que pesa na hora do pagamento. “Ainda tem gente que não resfria o leite e não tem cuidados técnicos, como ordenhadeira mecânica, e ordenham a vaca com as mãos, com o balde no pé da vaca”, conta o produtor de Jateí, Ailton Stopa. Na entressafra, sua produção caiu de 60 mil litros por mês para 12 mil. “Foi diferente dos demais anos, foi seco demais”, reclama.

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