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BRASIL

Preço de internet com 1Mbps para empresas varia até 650%

29 MAR 2011Por infomoney05h:00

O custo do acesso das empresas à internet no Brasil ainda é alto na comparação com diversos países do mundo. A avaliação é de estudo promovido pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), intitulado “Quanto custa o acesso à internet para as empresas no Brasil?”.

Segundo o levantamento feito com operadoras que oferecem serviços em todas capitais no País e divulgado ontem (28), a média do acesso banda larga DSL com velocidade de download de 1 Mbps para empresas no Brasil é de R$ 70,85. O preço varia até 650% entre os estados. Tem o menor valor de R$ 57,40 em Alagoas e no Espírito Santo e valor máximo de R$ 429,90 no Amapá, onde a velocidade máxima, aliás, é de 600 Kbps.

São Paulo também conta com um dos menores custos para velocidade de 1 Mbps, tendo valor médio de R$ 63,23. Entre os valores mais altos, se sobressaem os estados do Pará, Sergipe, Roraima, Piauí e Amazonas, todos com custo médio de R$ 99,90.

O estudo afirma que “tal diferença de preços, além de refletir estratégias adotadas pelas operadoras nos diversos mercados, é fortemente influenciada pela disponibilidade de infraestrutura física na região e de sua interligação com os backbones nacionais”.

O custo médio de acesso wireless é ainda mais alto. Na média do País, tem custo de R$ 109,82, mas o preço mais alto, em Rondônia, chega a R$ 114,56. O mais acessível não está muito distante desses patamares, sendo R$ 106,27 em Roraima e no Amapá.

Países
Na comparação internacional, é possível verificar que o custo nacional é mais baixo do que da Rússia e China e similar ao da Índia - países que, junto com o Brasil, compõem o grupo dos Bric -, mas ainda está muito mais alto do que o preço praticado em nações como México, Colômbia e Alemanha.

O custo médio de acesso DSL com velocidade de 1 Mbps é de US$ 9,3 na Alemanha, de US$ 12,4 em Taiwan e de US$ 16,5 no México. Entre os países que praticam preços ainda mais altos que os registrados em território brasileiro, a Rússia tem custos mais altos, de US$ 226, seguida da China, com US$ 105,9.

10 Mbps
A pesquisa também verificou o custo da velocidade de 10 Mbps na tecnologia DSL. Segundo o levantamento, percebe-se que existe uma grande variação entre os estados novamente (125%). O preço médio mais barato chega a R$ 84,90 no Rio Grande do Norte e vai até os R$ 192,40 em Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Acre. Amazonas e Amapá sequer contam com essa velocidade.

Nessa faixa de velocidade, o País apresenta maior grau de competitividade, tendo preço médio de US$ 63,6, contra US$ 77,2 da Dinamarca, US$ 164,8 do México e expressivos US$ 1.832,8 na Rússia. Japão (US$ 33,9), Portugal (US$ 27,7) e Taiwan (US$ 41,4), no entanto, ainda são países que praticam preços bem menores do que o registrado no Brasil.

100 Mbps
O estudo ainda verificou a disponibilidade e preço da internet 100 Mbps para as empresas do Brasil. Segundo o estudo, no Brasil, as velocidades de 100 Mbps não estão disponíveis em todos os estados. “De fato, em apenas 13 dos 27 estados da federação é possível encontrar esse serviço sendo amplamente oferecido ao mercado empresarial. Isso se deve ao fato de que a estrutura de fibra ótica - que permite acesso com alta velocidade e qualidade – está disponível, comparativamente a outras tecnologias, em pequenas regiões no País.”, descreve..

O valor médio para esse acesso no Brasil é de R$ 529, o equivalente a aproximadamente US$ 320, mais caro do que em países como Japão (US$ 311), EUA (US$ 310), Singapura (US$ 231), China (US$ 189) e Portugal (US$ 67).

Conclusão
A avaliação da Firjan é que o País ainda está muito distante da realidade de outras nações.

“Em termos de velocidade mínima, o pacote mais simples na tecnologia DSL oferece velocidade de download de 150 Kbps às empresas, cerca de cinco vezes menor do que a necessária para se considerar como banda larga. Para comparação, a velocidade mínima oferecida no Japão é de 12 Mbps, 81 vezes superior à brasileira.”

O estudo também reforça a necessidade de atenção para realidade do mercado empresarial. “No tocante a velocidades máximas oferecidas ao mercado empresarial, encontram-se pacotes “de prateleira” que permitem velocidade de download de até 100 Mbps no País, enquanto que no Japão há oferta ampla de pacotes com velocidade de download de 500 Mbps, e na Suécia de até 1 Gbps.”

A conclusão da Firjan é que o incremento de velocidade passa por investimentos expressivos em infraestrutura. “Notadamente na expansão de linhas troncais de fibra ótica e de suas ramificações, garantindo a existência da última milha”, afirma.

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